Nov 26, 2011

das cotas nos projetos de arquitetura

Eu dificilmente leio o caderno de esportes da Folha. A não ser quando tem notícias de aberturas das Olimpíadas ou grandes construções de complexos desportivos.
Foi esse o caso hoje (25/11/2011).
A manchete “Cota para deficiente na Copa-2014 gera disputa” ganhou minha atenção e fui lá procurar saber o que isso significava.
Ao que tudo indica em nenhum dos estádios projetados para a Copa de 2014 a cota exigida pelo Decreto Federal 5.296 de 2004 para assentos reservados a pessoas com deficiência e dificuldade de locomoção foi atingida.
Grande chance a nossa de refazer os antigos estádios, modernizar, deixar mais confortável para o público e assim atrair mais gente para as partidas, mesmo após o final da Copa. Aumentar tudo, trocar a iluminação, refazer os banheiros, as lanchonetes, as coberturas. Que delícia de oportunidade tiveram os arquitetos que fizeram esses projetos.
Pena que eles seguiram a legislação errada.
Lei Federal 10.098 de 2000 e o Decreto Federal 5.296 de 2004, junto com a norma técnica NBR 9050/2004 da ABNT regem nossos espaços construídos, principalmente os de uso coletivo, no que diz respeito à equiparação de oportunidades para as pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. O texto da legislação brasileira é muito feliz ao incluir idosos e pessoas com dificuldade de movimentar-se, permanente ou temporariamente, como gestantes, pessoas acidentadas ou em tratamento de doenças graves. As cotas dos assentos são destinadas a todas elas. A elas e a seus acompanhantes, porque, convenhamos, ir ao cinema sozinho nem sempre é bom. Ir ao estádio torcer é muito mais gostoso em grupo. E as pessoas nem sempre tem autonomia para ficarem sozinhas.
A legislação está aí para garantir que TODOS os brasileiros tenham as mesmas oportunidades de cultura, educação, lazer... E as cotas se fazem necessárias neste momento.
Num mundo mais altruísta as cotas não seriam necessárias, o acesso seria universal, e desde o primeiro pensamento para um traço de projeto todas as pessoas com todas as habilidades seriam incluídas.
Mas nosso mundo ainda não é assim, e a maneira de garantir que todos possam assistir a um jogo de futebol num dos maiores eventos desportivos que nosso país já sediou, é exigir a aplicação das cotas nos projetos arquitetônicos.
Fico feliz em saber que a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República está atenta e cobrando para que sejam respeitadas as normas brasileiras sobre as internacionais.
Fico triste em ver que meus colegas arquitetos responsáveis por estes projetos não se preocuparam com esta parcela da população.
Tantas vezes nos comparamos aos países europeus, aos norte-americanos, dizendo que nossas leis não são suficientes, não nos protegem, não punem os culpados, e quando finalmente temos uma lei mais humana que as internacionais, que se preocupa mais com os direitos do cidadão, achamos que ela não precisa ser cumprida em sua totalidade.
No caso dos estádios, o exemplo usado na reportagem da Folha foi o novo estádio do Corinthians, em Itaquera, São Paulo. O estádio deve abrigar a abertura da Copa, ou seja, um estádio para 70mil pessoas. Segundo a norma brasileira deveriam ter sido previstos 2.800 assentos para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, sendo 1.400 para usuários de cadeiras de rodas e outros 1.400 para pessoas com mobilidade reduzida, incluídos neste grupo deficientes visuais, idosos, gestantes, obesos, pessoas com dificuldades temporárias de se movimentar. 
Foram previstos 300 lugares.
Convenhamos, em 70mil pessoas, só 300 se encaixam na descrição acima? Acho difícil de acreditar.
Quando um arquiteto é contratado para um projeto ele deve recolher uma Assinatura de Responsabilidade Técnica, que é um documento oficial no qual estão os principais dados sobre o projeto, a metragem projetada, o tipo de edificação, o tipo de contratação, quanto ele recebeu pelo projeto. Ao final deste documento, logo acima da assinatura do profissional está escrito: “Declaro ser de minha responsabilidade técnica, dentro das atividades assumidas nesta ART e nos termos aqui anotados, o atendimento às regras de acessibilidade previstas nas Normas Técnicas de Acessibilidade da ABNT e na legislação específica, em especial o Decreto nº 5.296/2004, para os projetos de construção, reforma ou ampliação de edificações de uso público ou coletivo, nos espaços urbanos ou em mudança de destinação (usos) para estes fins”.
Ou seja, não importa que o contratante do projeto seja a FIFA, um organismo internacional, e que os manuais da FIFA exijam apenas os 300 lugares reservados a pessoas com deficiência, se o projeto está sendo realizado no Brasil, a lei brasileira é soberana e deve ser respeitada.
Espero que meus colegas tenham bastante criatividade para resolver essa situação dos projetos dos estádios. E que a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República tenha o pulso firme para exigir uma solução adequada.
Espero que no futuro, nos próximos projetos que realizarem, tenham em mente os princípios do Desenho Universal (utilização equiparável, flexível, simples, tolerante ao erro, que informe de maneira eficaz suas formas de uso, que possuam tamanhos e espaços que viabilizem o uso e exijam pouco esforço físico) desde o princípio, e não apenas como checklist de elementos ao final do projeto.
Acessibilidade não é só colocar rampa, elevador, corrimão, piso podotátil e um banheiro grande num equipamento de uso coletivo, é permitir que todas as pessoas, independente de suas habilidades, possam, com conforto e dignidade, participar das atividades realizadas naquele espaço.

Jul 7, 2011

New Haven Casual

tava pensando...
Tenho um montão de coisas pra fazer e uma preguiça danada... então resolvi escrever no blog.
Pra quê escrever o artigo pra mandar pro congresso se eu posso escrever no blog sem ter que conferir citação nenhuma?
Mas tava pensando sobre nossa viagem, que já está quase chegando no fim.
Já estamos empacotando coisas, combinando desligamento da internet e da TV antes que chegue a próxima conta, fazendo as comprinhas da família, as lembrancinhas dos amigos.
Estamos nos preparando pra uma semaninha de férias também. bom, eu tenho férias, o marido acabou de arrumar mais uns lugares pra fazer as últimas pesquisinhas... mas...
Com o verão à toda, o sol indo embora só depois das 8, a agente tem conseguido passear pela cidade no final da tarde. Antes de ficar escuro e esquisito.
Confesso que esses passeios tem um gostinho especial.
A luz está linda no final da tarde, as construções todas de pedras refletem o sol diferente da tinta e da cerâmica que estamos acostumados. O verde psicodélico das árvores é realçado pelos raios de sol quase horizontais.
Mas de longe o que eu mais gosto são os sinos.
De hora em hora podemos ouvir os sinos da universidade ecoando pela cidade.
É diferente do sino da igreja que avisa a hora de nos deitarmos todo dia no Brasil.
Não são os badalos que marcam as horas das missas, eles marcam as horas das aulas, do final do dia acadêmico.
Tem um som suave que diz "podem descansar e pensar sobre o dia de hoje"

May 10, 2011

Washington, DC (3)

Terceiro dia de viagem segundo dia de pesquisa.

Desta vez, devidamente agasalhado, marido foi usar o reading Room do Jefferson Building e eu fui conhecer a sala de leitura de Ciência e Tecnologia no quinto andar do Adams Building.

Não sei se já falei que adoro granilite, se não falei ainda, falo agora: ADORO GRANILITE. Pra quem não tem ideia do que tô falando, granilite é um tipo de acabamento de piso  (ou parede, divisória, banco...) feito da mistura de cimento e pedra quebradinha bem pequena e polido depois de seco. Tem muita divisória de banheiro feita de granilite por aí. Mas tô falando disso porque o piso dos acessos da biblioteca eram da granilite todo desenhado, muito colorido e eu fiquei uns bons minutos só olhando piso. A louca!
Minha parte da pesquisa foi rapidinha nesse dia. Rendeu 2 compras de livros pela Amazon e uma visita a uma instituição no dia seguinte, mas terminei todas as minhas consultas pela manhã.
Depois do almoço o marido voltou para a sala de leitura da biblioteca e eu fui fazer uma visita guiada pelo prédio mais antigo da Biblioteca.

Esse passeio rendeu boas fotos:













Quando saímos da biblioteca, a chuva que caía pela manhã já tinha dado espaço pro sol e pudemos voltar mais tranquilos pro hotel. 2 milhas na chuva não dava pra encarar. De qualquer maneira, resolvemos pegar o "Circuladô" (Circulator é um dos tipos de ônibus de Washington e custa US$ 1.00 por viagem e só aceita dinheiro exato, ou seja, tenha sempre uma nota de 1 dollar no bolso ou vá à pé) pra voltar. O combinado era sair pra jantar...

Nosso jantar romântico em DC foi no famoso Ben's Chili Bowl, uma casa de cachorro quente com o Chili mais famoso de Washington e o preferido do Bill Cosby. Depois descobri que o endereço ali era bem mais famoso do que esperava. A "U Street" foi conhecida como a Broadway Negra na década de 50 e 60 e viu muito artista e político negro importante para a história passar por ela.

Mas o vento tava gelado demais pra ficar passeando pela rua. Mas sugiro aos viajantes que gastem mais tempo nessa região da cidade.

Washington, DC (2)

De volta à Connecticut depois de 4 dias em Washington.
Que viagem mais deslumbrante!
Capitais Federais tem esse poder. É uma imponência urbana que te faz ficar em estado de êxtase a casa nova perspectiva. Azar de quem fala que não se vive bem nessas cidades projetadas como monumentos, elas são lindas nas fotografias que tiramos nos passeios turísticos.
Aproveitei tudo o que podia do curto tempo que tinha na capital estadunidense.

O objetivo principal da viagem era acadêmico, o marido e eu tinhamos que fazer pesquisa na maior biblioteca do mundo. Mas é lógico que tinha que aproveitar o pouquinho de tempo livre depois da pesquisa pra passear.

Como chegamos meio tarde na segunda feira, decidimos não arriscar a biblioteca e depois do check-in no Hostel corremos para o Air and Space Museum no National Mall.
Eu tinha que começar por lá! O passeio àquele museu em 86 é uma das lembranças mais vivas na minha memória.

Naquele ano, meus pais levaram minha irmã do meio e eu pra passar 3 semanas nos EUA, incluindo Natal com a família da minha mãe na neve, passeio pra ver a Cinderela na Disney e o aniversário da minha vó em Washington, na casa de um amigo dela que estava na equipe que projetou o Hubble. Minha irmã mais nova, que era um neném fofinho de 1ano e meio na época, ficou no Brasil com nossa tia e nos culpa por traumas de abandono até hoje... well...

Meu pai é um fanático por aviação e viagens espaciais, é daquele que ficou com os olhos até secos esperando Neil Armstrong e Edwin Aldrin pousarem na lua, tinha aviõezinhos pendurados no teto do quarto, coleciona Mecânica Popular. Lógico que ficamos horas no museu aeroespacial! Na minha lembrança foram uns três dias sem sair de lá, mas deve ter algo errado com essa lembrança.
De qualquer maneira, os caças pendurados no teto, as cabines de comando de naves espaciais, as comidas de astronautas e o filme feito dentro da Charlenger com uma "astronauta mulher" lá dentro me fascinaram. Eu tinha assistido ao lançamento e explosão daquela nave ao vivo pela tevê no começo daquele ano, e tinha umA astronauta na nave... ah, como eu queria ser astronauta!
Lógico que minha missão pela capital tinha que começar por alí.


 Air and Space Museum (foto minha)

As naves e aviões não parecem mais tão grandes... talvez pareçam mais letais hoje do que quando eu tinha 6 anos... mas não são mais tão grandes.
Desta vez fui curtir as velharias, os modelos dos primeiros aviões, os homens desafiando o ar e a gravidade. As mulheres desafiando o ar, a gravidade e os homens. Fiquei vendo cada medalhinha, cada postal recebido em combate, as bombas pintadas na lataria do bombardeiro da 2ª Guerra, os uniformes da aviação civil, os troféus das competições. Tem um sabor diferente voltar a um lugar que você só viu quando criança, mas antes tinha meu pai ao lado contando a história de cada um dos caças que estavam pendurados lá...
Os museus ainda estão fechando cedo, mesmo com o sol brilhando até mais de 7 horas da noite.
Fazer oquê, né? Fomos tomar uma cervejinha no primeiro pub bonitinho que cruzou nosso caminho.
Voltamos exaustos pro hotel e fomos descansar para começar cedo no dia seguinte.

Pra usar a Biblioteca do Congresso tem algumas regras: ninguém pode pedir nenhum livro sem estar devidamente cadastrado como pesquisador, e ninguém, a não ser os funcionários da biblioteca, pode chegar e pegar um livro na estante.
Ali em Washington três prédios compõe a Biblioteca, o Thomas Jefferson Building, o mais antigo deles, o James Madison Memorial Building, aberto em 1980, e o John Adams Building, aberto em Janeiro de 1939.

Por ser o prédio mais novo o Madison Building abriga os laboratórios e coleções especiais, como fotografias, posteres, vídeos, gravações de som, instrumentos musicais. É ali também que nós, novos usuários da biblioteca, fizemos nosso cadastro.
Marido ficou por ali mesmo pesquisando nos arquivos de imagem e eu atravessei pelos corredores subterrâneos para usar a sala de leitura do Thomas Jefferson Building.
Ler num lugar daqueles tem outro sentido.
Se existe algum lugar em que se possa assimilar idéias por osmose, só pode ser lá.
Passei a tarde ali, até ficar roxa de frio e sair pra encontrar o marido.  A temperatura de conservação dos livros é bem perto da temperatura de conservação de carne (no frigorífico!) e eu estava vestida para a temperatura externa da cidade, perto dos 30ºC. Mas tudo bem, só atrapalhou um pouco a concentração. Não cometi o mesmo erro depois.

 Library of Congress Thomas Jefferson Building (foto minha)

Resolvemos voltar andando para o hotel naquela tarde linda, afinal, o que são 2 milhas de caminhada?
Só vou dizer que às 9h estava pronta pra dormir.

May 2, 2011

Washington, DC (1)


Washington, 2 de maio de 2011

Hoje estou me sentindo no meio da notícia, como diriam os amigos jornalistas.
Ontem antes de dormir, ainda em Connecticut, tive um acesso desmemoriado e coloquei no 19. Dezenove lá na TV a cabo da minha casa do Brasil é a Globo, na TV a cabo da minha casa dos States é um canal em espanhol, pra comunidade latina da região.
E eu não assisto ao dezenove aqui, a não ser que seja algo imperdível, como Karatê Kid dublado.
Bem, voltando! Reparei que era o Sr Presidente Obama que estava falando à nação. Aí percebi que era ao vivo. Hein? Desde quando tem pronunciamento de presidente ao vivo num domingo as 11:30 da noite?  Deve ser alguma coisa séria!
Corre e procura um canal em inglês, sem a tradução simultânea pro espanhol.
Tio Obama tava lá, contanto pra todo mundo, que os militares americanos tinham finalmente encontrado e matado o Bin Laden.
Só isso, notícia meio sem importância, e eu indo dormir pra pegar o trem cedo pra Washington DC.
Vim pro meio da notícia.
Mas não vi a agitação toda não. Tô à pé e os caminhos são longos e ensolarados. Fiquei no museu Aeroespacial do Smithsonian vendo naves espaciais, caças de guerra e aviões antigos.

Apr 24, 2011

New York (2)

Foi na segunda-feira que eu realmente comecei a curtir Nova Iorque.
Tudo bem, passear no Central Park é legal pra caramba, mas ele foi construído para que se sentisse o  constraste entre o caos urbano da metrópole e os percursos sinuosos e cheios de surpresa e silêncio do do parque. Sem passar pelo caos das avenidas a sul do parque ele não tem o mesmo impacto.
Então lá fomos nós.
Minha primeira atividade do dia era passar no Consulado do Canadá pra dar entrada no visto. Oito horas da madrugada tinha estar lá com tudo pronto. Enquanto isso o marido ia fazer pesquisa no arquivo do Smithsonian ali pertinho.
O Consulado fica na Avenida das Americas, aka 6th avenu, no subsolo de um prédio com ligação direta pro metrô e pro Rockefeller Center. O arquivo do Smithsonian é do mesmo lado da avenida, uma quadra mais ao norte. (Pra cima?)
As coisas no consulado fora muito mais rápidas do que podia imaginar. tudo bem que meu padrão de comparação era a fila do consulado americano em São Paulo, com 3 horas de espera... No fim, deixei a papelada lá e só tinha que voltar no dia seguinte, desta vez às dez e meia, pra pegar o passaporte com o visto.
O combinado com o marido é que encontraria com ele no final da manhã no arquivo pra gente almoçar, então eu tinha a manhã livre pra bater pernas no centro de Manhattan.
Eu, toda toda, passeando em NY.
O perigo de andar sozinha nessas situações é ser atropelada.
Tem uma lenda que diz que a maioria dos casos de atropelamento em Paris acontece com arquitetos.
Posso acreditar! E imagino que em NY a coisa não seja muito diferente.
Não é por falta de atenção, é por excesso! Tem tanta coisa legal no meio do caminho, e pro alto, e pra trás, e pro chão... tem letreiro, tem gente, tem um milhão quatrocentos e cinquenta e três mil detalhes em cada prédio... não dá pra perder tempo olhando pro taxi amarelo que insiste em entrar na rua mesmo que o sinal esteja aberto pro pedestre.
Por sinal, leizinha de trânsito mais louca essa!

Então vamos lá, recosntituindo o percurso: Saí do consulado na 6thAve com 50thStreet, fui ver se o arquivo era mesmo na 51st. OK! Da 51st segui até a 5th Avenue.
Aí brinquei de madame e fiquei vendo vitrine. Pena que ainda não eram 10h e as lojas estavam fechadas. Fui até a 52nd, voltei, andei até a Madison. Dei a volta na Saint Patrick's Cathedral, santo padroeiro da nossa viagem.
Vi a fila que se formava em frente à Saks.
Andei pela 49th até a Park para ver o Waldorf Astoria

Attribution: James G. Howes
 Na volta, a Saks já estava aberta, mas minha veia consumista não estava funcionando e minha preguiça de experimentar roupas estava forte. Acabei comprando um baton, que era um que eu tava namorando desde o aniversário da minha mãe. Um da Clinique, "cor de boca", sem perfume, com hidratante, protetor solar e que não causa alergia, que custa quase 90 contos no shopping perto de casa e 14 doletas na Saks...
Como ainda faltava um pouquinho de tempo antes de encontrar o marido, dei uma paradinha na H&M pra ver as novidades...
Bom, na verdade foi também uma questão de necessidade. Quando saímos do hostel de manhã, era inverno em NY, mas perto da hora do almoço já era verão.
Segundo o noticiário, a temperatura chegou a 81ºF (27ºC), perto da temperatura recorde pra época.
Mas na verdade só achei uma jaqueta de brim que eu queria fazia tempo...
Hora de encontrar o marido e almoçar. 
Nosso combinado era: Carnegie Deli, perto do Carnegie Hall, pra comer o sanduíche monstro de pastrami e língua de boi indicado pelo Andrew Zimmerman.
Dá pra entender que essas duas camadas de carne são metade do sanduíche e que tem um pedaço igual atrás, né?
Metade pra cada um!
Depois dessa quantidade de comida foi um pouquinho difícil andar sem fazer a sesta, mas fomos fortes.
Andamos até Carnegie Hall, que está reformando a fachada e cheio de andaimes. Ou seja, não vi nada!
Depois voltamos para a 5ª avenida. Um calor de matar, pelo menos pra quem saiu de casa com 2 blusas de manga comprida.
Ainda bem que tinha uma GAP no meio do caminho. 
Devidamente ventilados, continuamos o passeio pela 5ª avenida até o lugar mais legal: a FAO Schwarz.
Loja de brinquedo é tãaaaao legal! Mas o piano que o Tom Hanks toca em Quero ser Grande tinha tanta criança em volta, todos pisando ao mesmo tempo nas teclas do pianos, que saimos correndo de lá rapidinho.
Depois dos brinquedos de criança, fomos na loja de brinquedos de gente grande.
(foto minha)


(fotos do site da Apple)
Lógico que numa linda segunda feira de calor na Big Apple, a loja não se parecia em nada com a loja dessa foto... Gente saíndo pelo ladrão, e nós dois em pânico pensando na fila do caixa pra pagar as compritchas.
Santa ingenuidade, Batman!
Que fila?
Depois de escolhermos todas as bobagenzinhas que precisávamos, a mocinha sacou o iphone (ou seja lá o que for aquilo, só sei que era do tamanho de um celular), leu o código de barras dos produtos com o laser do próprio bichinho, anotou nosso e-mail pra enviar a nota fiscal, passou o cartão de crédito no leitor embutido na máquina, pediu pra gente assinar com o dedo (LOUCO LOUCO LOUCO!!! como assim meu cartão de crédito aceita minha assinatura feita com o dedo sobre uma tela de iphone?), fechou a sacola e... tudo pronto! Sem fila gigantesca. Coisa mais linda do mundo!
Como ainda era cedo e o dia estava lindo, fomos conhecer a loja do restaurador de trompetes dez quarteirões ao sul.
Aproveitamos para comprar os ingressos pro show da sexta no Iridium.
Descansa um pouco, alonga em público. Puxa perna pra trás, alonga a coxa, alonga a panturrilha, alonga os braços, as costas, os tornozelos já estão adormecidos de tanta dor...
Entra no metrô pra ir pra Columbus Circle. Péeeeeeeeeeeeeee! lado errado! 20 minutos pra tomar um café e poder passar o cartão do metrô na outra direção.
Bela exposição de fotografias Traveling Full Circle: Frank Stewart’s Visual Music.
Cheios de panfletos nos bolsos, fomos apreciar a vista do final da tarde sobre NY:

 (foto minha)

Continuando o passeio, afinal o dia é lindo, fomos até o Lincoln Center. Divertida mistura entre turistas e frequentadores, vestidos para ópera e vestidos para compras...
No centro da praça tem uma fonte com um banco circular em volta, cheio de gente. No cantinho da praça uma plaquinha com os horários dos "shows de água", e eu com um sorriso sádico, esperando o show de água começar e molhar todo mundo ali... Acho que ficaram com pena, e as águas dançantes fizeram muito poucas piruetas pro meu gosto. O povo sentado ali nem se deu conta.
Encerramos o dia por aí, saindo pela lateral da praça para ver a Julliard e pegar o metrô de volta pro hotel.

 

Apr 21, 2011

invadindo escola alheia

gente, gente, gente!
acabei de voltar de um passeio muito legal.
Bom, legal pra quem estudou arquitetura, pra quem viajou o Brasil todo conhecendo as faculdades dos amigos...
Hoje, a convite do professor Peter de Bretteville, fui assistir à apresentação dos trabalhos da disciplina de projeto de arquitetura do segundo semestre na Yale School of Architecture.
 (http://www.architectmagazine.com/educational-projects/old-school-new-school-yale-university.aspx)

Na disciplina os alunos devem desenvolver um projeto residencial, no caso, uma casa com 2 apartamentos, sendo um, maior, que seria habitado pelo dono do imóvel e um menor para aluguel.
O terreno, para o projeto é real, o cliente (uma construtora local) é real, o problemas a serem resolvidos são reais. Digo isso, e quem estudou comigo vai entender, porque muitas vezes durante a faculdade sentimos a falta dos problemas reais. Pensar sobre problemas que não existem não é fácil, nem gostoso. Inventar problemas nos deixa mal acostumados...
O terreno do projeto não é muito longe daqui de casa, então fiquei bem empolgada com as propostas, com a leitura dos alunos sobre o bairro, que é bem pobrinho...
Ao todo foram apresentados 6 projetos, que pelo que entendi, já passaram por uma "peneira" antes. Hoje aconteceu mais uma peneira, e no final, o melhor projeto será realmente construído, então a opinião da construtora, que estava na apresentação hoje, conta muitos pontos.
Isso é bem legal, porque universidade (e convenhamos, Yale School of Architecture é uma das mais antigas e importantes faculdades de arquitetura DO MUNDO) e mercado são obrigados a conversar. O cara que produz habitação barata pode ver a produção dos alunos dos arquitetos mais influentes do país, e esses alunos tem que entender que o custo de produção e a "vendabilidade" daquela construção são fatores importantíssimos fora dos belos muros de Yale.
(Yale não tem muros... mas vocês entenderam a metáfora, né?)
Adorei a proposta!
Mas vamos por partes.
Gostei muito do formato da apresentação, e fiquei pensando que foi uma pena não ter pasado por situações assim mais vezes durante a minha formação.
A presentação era em formato de banca.
Cada equipe tinha de 30 a 35 minutos para apresentar o projeto e responder a perguntas. Todos tinha pranchas impressas com as plantas, cortes, fachadas, perspectivas internas, diagramas de composição... Maquetes em papel e madeira, uma maquete só da estrutura (lembrando que estamos falando de woodframe) e maquetes maiores com cortes da casa que a equipe achasse mais interessante para explicar algum conceito. No final, uma maquete 1:100 era colocada numa maquete maior com o entorno de 6 quarteirões.
Nem os professores, nem os convidados, nem o cliente eram lá muito bonzinhos. Foram criticados detalhes construtivos mal elaborados, cozinhas em que a pessoa faz sombra na área de trabalho (ODEIO COZINHA EM QUE EU FAÇO SOMBRA NA ÁREA DE TRABALHO!!! ODEIO!!), mas pricipalmente as entradas e fachadas das casas foram criticadas.
No pedido do cliente, o dono da casa e seu inquilino deveriam ter entradas separadas, a chegada de um não deveria interferir na chegada do outro. Com isso, todos os grupos resolveram que o dono da casa teria a entrada na frente e o inquilino entraria pela lateral. Fosse subindo uma escada ou entrando direto no térreo, todos entravam pela lateral do terreno.
Isso deixou os professores loucos!!!
Olha só o problema que isso cria: o dono da casa não quer saber da existência do seu inquilino, mas o amigo do inquilino que vem visitar só vê uma porta e só uma campainha para apertar. Aí o dono da casa tem que atender a porta e dizer que a campaínha do amigo é na lateral da casa.
Entenderam o conflito?
Arquitetura não é muito emocionante?
Engraçado foi que eu gostei muito de uma proposta que os professores criticaram muito muito muito.
Um dos grupos, ao invés de manter o alinhamento da casa igual ao das outras casas, resolveu que seria mais legal colocar a casa no meio do terro, pra ter mais janelas com sol direto, sem interferência das casas ao redor. Na frente eles criaram um jardim, quase como uma pracinha, pensando que inquilino e dono da casa pudessem dividir aquele espaço, ou que o inquilino usasse a frente e o dono da casa usasse o fundo (espaço mais nobre). Eu realmente achei a idéia divertida, mas eles não defenderem com muito afinco. A crítica dos professores foi de que o bairro não é muito seguro e que equele espaço todo na frente não é nem público nem privado, e que acabaria sendo usado pelos vizinhos também, não só pelos moradores da casa.
Mas o que é que eu vi no bairro que me deixou otimista com a proposta da molecada: nas casa que tem uma varandinha, o pessoal coloca sofá, cadeira, poltrona, mesinha... aparentemente, quando não está frio, o pessoal fica na rua, fica na frente das casas, que nem em cidade do interior, e tem algum relacionamento com a vizinhança, então, se você tem um jardim maior na frente essa interação pode ser maior... talvez os limites estabelecidos pelo grupo pudessem ser um pouco mais fortes, mas a idéia é bem legal.
E falta um pouquinho de espaço público de convivência aqui na cidade...
Mas fiquei realmente muito feliz com o passeio de hoje. A estrutura dos ateliês de Yale eu não vou nem comentar agora, pra não morrer de dor de cotovelo e estragar meu computador com tantas lágrimas de lamento.