Apr 28, 2007

caixinha de jóias aberta à visitação!
continuação da declaração de amor iniciada no post anterior e inspirada por visitas a blogs alheios.
a ordem dos pontos não representa preferência, é só um número antes de palavras.

1. A Casa da Bóia na Florêncio de Abreu
Bóia não é comida, é bóia mesmo, aquele mecanismo que não deixa a caixa d'água ficar enchendo depois de cheia. Mas é um comércio de materiais hidráulicos, elétricos, utilidades domésticas e metais não ferrosos.
A Casa da Bóia tem umas das fachadas mais lindas de São Paulo, construída no início do século passado, completa cem anos em 2009. Um sobradinho art nouveau tombado em 93 e restaurado duas vezes.
Quando bate o sol nela pela manhã fica toda iluminada e você até esquece que tá no meio daquela zona de vendedores ambulantes de traquitanas que você não sabe como podia viver sem até hoje. Tá, lá vai a esquisitona... Mas é que a Florêncio é uma das minhas ruas preferidas, e eu fico enlouquecida nela. Lembrando que é comum me encontrar na rua carregando uma caixa de furadeira num braço e um vaso de orquídeas no outro, e que uma rua que só venda ferramentas me deixa maluquinha saracoteando e construindo coisas na minha cabeça.

2. Rua São Caetano
Rua São Caetano é a rua das noivas. Moças casadoiras de todo o Brasil vão até lá pra procurar seus vestidos, mesmo que o noivo ainda não exista. É também a rua das coisas de costura, venda de máquinas, manequins, araras e tudo mais, mas é por causa dos vestidos de noiva que eu gosto de lá.
Imagine uma rua aonde todo mundo que vai tá feliz e fazendo planos para o futuro! Pois é, é lá!
É lá que todo ano eu e minha irmã fazemos nosso esquete de teatro amador, nosso maior exercício de improvisação e cara de pau.
A primeira vez foi por que a vendedora deu o tema de bandeja e nós duas não pudemos resistir a alimentar o engano dela.
Estava sem dinheiro pra comprar um presente bacana pra Mila e ela tava fazendo um projeto pr'um desfile de noivas na faculdade, muito criativa que eu sou (olha o exercício da cara de pau mais uma vez), dei pra ela a pesquisa de campo. Fomos olhando, olhando, olhando e só tinha vestido muito brilhante, com cara de merengue, ou daqueles quase de princesa cigana, doído de brega... No fundo da vitrine de uma loja avistei um vestido bem simples, de renda, justo ao corpo com cauda de sereia, decote enorme no busto e alças, alças são muito importantes. Entrei direto pra ver, a Mila veio junto. A vendedora chega "Quando é o casamento?" "Setembro!"
Simples assim.

3. a Pinacoteca do Estado
Adoro a Pinacoteca (além de estar pertinho da São Caetano...)!!! O projeto de restauro-reforma de Paulo Mendes da Rocha é lindo, o edifício de Ramos de Azevedo já era lindo antes disso, mas dá um prazer tão grande entrar lá, só ficar passeando já tá bom... O acervo é lindo, adoro ver o acervo dos museus. As exposições temporárias são bem legais, sempre tem um grande artista plástico desconhecido (pra mim) novo pra conhecer e terminar o passeio e dar de cara com música boa no auditório me traz uma paz... depois tem a paradinha no café e o passeio pelos Jardins da Luz pra ver as esculturas escondidas no meio das árvores e o a gruta sob o lago.

4. Plataforma da Estação Sumaré de Metrô
Fico ali esperando o trem lendo os trabalhos do Alex Flemming, vendo o trânsito na Avenida Sumaré, as pessoas correndo no canteiro central, até uns anos atrás ficavam os rapeleiros pendurados nas suas cordas subindo e descendo... Lá é gostoso de ficar à noite, durante o dia, com trânsito cheio e faróis acesos lá embaixo, vendo a chuva, vendo o sol se por... aquele vidro enorme cheio de poesia e fotografia...

5. as Bancas de Flores da Doutor Arnaldo
Sempre que posso volto andando da Paulista pra Vila Madalena só pra passar pelas bandas do cemitério. Aquele paredão de flores, metros e metros de bancas de flores, 23 bancas com flores de todos o tipos, tanta flor que não fica nem um pedacinho de prateleira à vista.
Sempre ganho flores ali...
Tão bom ganhar flores...

Apr 27, 2007

Mais uma declaração de amor.
Dessa vez não vou queimar meu próprio filme como de costume, juro. Não é uma declaração de amor romântico, é uma declaração de amor racional e cultivado ao longo de 26 anos e meio, que já superou diversas crises e agora, maduro, encontra a tranquilidade.
Fiquei com vontade de fazer minha declaração por escrito depois de ler outros blogs [desse que estão listados ao lado(1) (1') (2) (3)] falando tanto sobre isso, e depois porque no final de semana que vem é a Virada Cultural.
Começo por aí, porque acho que participar da Virada Cultural é a maior declaração de amor que um paulistano pode dar a São Paulo. Ficar acordado o final de semana todo, organizar seu tempo pra não perder nenhum dos eventos que te fazem feliz (tem evento pra todo gosto de feliciadde) e vibrar podendo pegar o metrô às 3 da manhã, atravessar a cidade pra ver um show depois de uma récita de poesia, é um tesão que não tem preço.
Amo São Paulo com toda a força do meu coração.
Ô cidade que me deixa excitada!
Fui com minha irmã na primeira edição da Virada, assistimos à shows no Anhangabaú, depois fomos à Casa das Rosas ver uma leitura de um texto do Poe, um pouco de cinema, café pra aguentar mais um pouco (já que irmãzinha não bebe e cerveja é uma bebida para ser compartilhada...), caminhada até o Mercado Mundo Mix e uma chuva torrencial sobre nossas cabeças, as duas molhadas como pintos e o rabo entre as pernas, desistimos do show da Elza Soares e voltamos pra casa.
A edição passada me sacaneou, foi no aniversário da minha sócia, e claro que a sociedade ganha a briga com o evento, mas não significa que ame menos minha querida cidade... (confuso? mas ela não é Baronense de carteirinha? Exatamente, de carteirinha, Paulistana de coração e nascimento).
Agora estou estudando a programação da Virada todinha pra não perder nadinha de nada!

Também estou montando minha caixinha de jóias pra exposição aqui, os cantinhos lindos de Sampa que me deixam feliz da vida de passar por perto... mas são cantinhos, não são grandes marcos, são só lugares que ficam lindos com o sol de inverno.

Ai como eu gosto dessa cidade!!!


p.s.: não ficou parecendo muito racional, né? Ops, talvez não seja... talvez só seja cultivado por muito tempo mesmo...
Comentando a vida alheia...
ai, eu sei que feio, que é falta de educação... meus pais me deram uma boa educação, mas tem coisas que são mais fortes do que os ensinamentos deles.
Se bem que, os dois têm sua cota de observações venenosas...
Agora fico observando as pessoas nos ônibus. Uso duas linhas, com frequentadores bem diferentes. Uma sai de Barão, distrito universitário, e vai para o centro, já o 97 sai do centro e vai pra Sousas, distrito também, cheio de condomínios de alto padrão. Dois caras chamaram minha atenção e por isso as observações de costumes alheios são sobre eles.
Um deles, moreno, alto, não muito alto, fortinho, mas nada exagerado, cabelo escuro despenteadinho de propósito (isso é bem importante, não é desleixo, leva tempo fazer o cabelo assim logo cedo), usa roupas claras, tênis xadrez, calças meio curtas, camisa curta também, ajustada. Um cara desses cult, alternativo "ma non troppo", que estaria muito bem na fila do espaço Unibanco. Está sempre lendo, e espera pelo próximo ônibus se não tiver lugar pra sentar no primeiro que sair (adotei esse comportamento também, o trajeto é longo e ler sentada é mais fácil).
Reparei nele por causa da tatuagem. De costas só vejo um pedaço dela, um bracelete, acho, duas faixas bem pretas, de mais ou menos 1 polegada cada uma, não sei o que tem na frente, nem se tem alguma coisa mais pra dentro da manga... no outro braço ele tem outra tatuagem, mais óbvia e brochante, escrita em letra gótica "amor divino"... Me conta porque maluco tatua " amor divino" no braço? Tá lá, frase solta, pequenininha no braço enorme, totalmente deproporcional e despropositada...
O outro cara tem o mesmo perfil só que na versão magricela nerd. É mais novinho. Esse desce no mesmo ponto que eu. Ele também está sempre lendo e combinaria com a tal da tauagem do amor divino. O moço não pausa a leitura do novo testamento edição de bolso nem pra descer do ônibus. Impressionate a fé!
(pausa para limpar o veneno do canto da boca senão queima a pele)
Vou continuando com minha colação de tipos.
Qualquer dia falo das roupas. Pelamordedeus, quem disse pra essas adolescentes que podiam sair de casa com aqueles figurinos... Afffh

Apr 21, 2007

ai ai... essa vida de cidade pequena tem umas situações ótimas.
Vou contar um causo que é pra deixar esse pessoal que vive entra muros e não conhece os vizinho morrendo de inveja.
No dia da mudança do escritório o caminhão chegou aqui 8:00 da manhã como combinado, carregaram rapidinho e partiram pro novo endereço.
Enquanto isso mamãe pegou o carro e partiu pra Sampa, eu coloquei as últimas coisas da mudança no carro e da Vó e parti também. A casa ficou com cara de abandonada.
Uma meia hora mais tarde o piscineiro vaio terminar o trabalho dele que tinha ficado pela metade no dia anterior. Um entrou pra aspirar a piscina e o outro ficou tirando um cochilo no carro.
A vizinha viu a cena, lembrou do caminhão (não tinha me visto com o caminhão porque eu separava as coisas dentro do escritório), ficou preocupada.
Ligou pra polícia.
Toca a campainha e a Vó atende.
Bom dia, a senhora tem piscina em casa?
Sim, tenho, por quê?
E o piscineiro está limpando hoje?
Não, ele vem de sexta feira. Mas espere, vou ver.
O coitado do ajudante que dormia tranqüilo no carro tremendo feito vara de marmelo, só faltava ser preso por dormir na sombra...
A vó sai de casa e vai até a porta. Três viaturas da polícia, 6 policiais armados, com as mãos prontas pra sacar esperando lá na frente.
A senhora está bem? É mesmo o piscineiro que está aí? Vocês não estão sendo assaltados? Está certa de que não é ladrão na casa levando todos os móveis e computadores? Se for ladrão acene com a cabeça!

Apr 18, 2007

vixi... que breguice... tô parecendo aqueles livros de auto ajuda... aff
Acudam!!!
Esse turbilhão que me pegou tá acabando comigo...
Acabando não, exagero da minha parte, mas tô mais doidinha do que nunca.
Tô que nem a Dorothy no meio do tornado.
Mudanças radicais nos meus dias, na minha vida...
Continuo vislumbrando a tal da liberdade, da independência, e não tô com muito medo não, só um tiquinho.
Parece o básico do básico nego levantar todo dia, de segunda à sexta, se arrumar, trancar a casa e sair pro trabalho, não parece? Transporte coletivo então? Quanto por cento da população urbana brasileira usa?
Pra mim não é básico! Pelo menos até segunda feira não era assim, agora é!
Acostumar o corpo a acordar mais de uma hora mais cedo, comer rápido e sair correndo pra pegar um busão, pra fazer uma baldeação e só então chegar no escritório tá duuuuro.
Não, não sou uma novata no transporte público coletivo, não sou uma dessas pessoas que está tendo contato essa realidade só depois de velha. Fui pra escola por muito tempo de ônibus, já trabalhei bem longe de casa e tinha que sair bem cedo pra não perder o 3.70, mas faz anos que isso não acontece.
Durante a faculdade tinha carona, e quando o horário não coincidia com o de mamacita (que trabalhava do ladinho do meu Campus) eu conseguia voltar a pé (7km na descida é fácil, mais fácil que esperar 3.62 a cada 55minutos). No último ano eu só tinha um dia de aula, todos os outros dias ficava em casa trabalhando na minha monografia.
Acordava razoavelmente cedo, arrumava o quarto/escritório/sala de estudo e começava minhas escrivinhações, parava pra fazer almoço pra família (era um jeito de fazer o vô comer, ele não conseguia negar se eu tivesse feito), retomava o trabalho e só parava pra jantar.
Depois de formada montei (com minhas queridas amigas) um escritório, que por 2 anos e um tantinho teve sede num galpão aqui no quintal de casa. Ou seja, eu não precisava de transporte pro trampo nem de acordar muito cedo. E qualquer emergência era só sequestrar o carro da família.
Acabou minha mamata!
15 minutos de caminhada até o terminal (tá, dá pra pegar o Real Parque aqui na esquina, mas e se eu não conseguir fazer meu exercício no final do dia? melhor ir andando...), 25 minutos num ônibus, desce, sobe noutro, mais 7 minutos com o "baladão sertanejo" (ônibus com música ambiente no interior de São Paulo é o ó) e pronto, tô na nova sede. Na volta inverte tudo, só que tem o agravante do cansaço e da superlotação.

Não, não tô reclamando não. Tô feliz da vida.
Sabe aquela sensação deliciosa de tomar as rédeas da própria vida? É isso!
Tô lá longe por escolha, por investimento. Arriscamos, arriscamos alto, mas isso é importante pro crescimento da empresa, é importante pro crescimento das sócias, pra nossa auto estima...
Por sinal, se eu já era insuportável antes, agora, cheia de mim, super confiante do meu taco (apesar dos tropeços) tô um nojo. Metida que só!
Cuidado!
E o ponto novo tá com cara de apê de Copacabana da novela das oito...

Próximos passos? Meu transporte individual sobre duas rodas e sua devida habilitação, depois o meu canto, meu, sem família, com as minhas contas pra pagar, com minhas coisas, minhas cores e meus cheiros, com meus transtornos obsessivos compulsivos...
São planos que resolvi fazer agora, só porque acho que estão mais próximos da realidade do que achei que estivessem...

Apr 15, 2007

"those who risk, gain"
acabei de ouvir o Orlando Bloom falando isso no maravilhoso Elizabethtown. Adoro (o Orlando e o filme).
Não lembro como foram as críticas quando o filme foi lançado, só lembro do meu choro compulsivo no cinema e depois dirigindo voltando pra casa. Hoje chorei de novo.
Começo com o choro no final do filme mesmo, quando ele para num bosque e dança sozinho entre as árvores. Faço isso às vezes... não entre árvores, entre pessoas mesmo, em pistas de dança e tal...
Mas não, este não é mais um post sobre danças e comportamentos estranhos...
Bem, talvez sobre comportamentos estranhos. Sobre riscos corridos.
Puta merda como minha mira é ruim!!!
Impressionante minha atração por encrenca, por histórias que não serão. Afh!
Sabe aquela história de quem não arrisca não petisca...
Muito esfomeada que sou, arrisco muito. E só passo fome.
Aí que está o problema.
Moço lindo na balada, lindo mesmo (é, se bem que só eu achei lindo, mas amigas com gosto diferente pra homens são ótimas). O único que realmente me chamava atenção... Fui várias vezes lá só pra ve-lo. (um pouco de licença poética, ok?!)
Dia desses, depois de um tanto de cerveja, de um copo de mojitos e de amigos me atazanando pra tomar coragem fui até ele.
"me liga durante a semana!" entregando um cartão com meu telefone.
assustado, muito educado sorriu envaidecido (pelo menos é o que minha memória diz)... até achei que poderia realmente receber o tal telefonema... ai ai ai... ledo engano...
Neste final de semana descobri uma coisa muito impotante: se ele usar meu cartão será procurando uma arquiteta pra construir a casa dele e da esposa...
Tem como errar mais???
Alguém é bom com a cavadeira pra abrir um buraco bem grande pra eu enfiar esse meu cabeção? Vai dar fora desse tamanho lá longe!!!
Errado, muito errado isso!
Bem que podia ter um com aquele número solteiro-disponível por aí, né?
Afff
Bem, mais um mantra na vida... "those who risk, gain"
se fode aí...

Apr 11, 2007

to pack

As caixas vazias aqui ao lado estão trazendo à realidade a mudança do final de semana.
Até agora ela tava mais perto do mundo da fantasia e da vontade, mesmo que falemos dela a cada 15 minutos, não parecia tão palpável.
As caixas estão esperando pelos livros e revistas da estante que vão conosco, mas a estante fica, a que vai é a outra que acabei de herdar.
Hoje a divisória está sendo instalada.
O contrato será assinado.
A lista de coisas a fazer à tarde inclui marcar o caminhão de mudança, fechar a conta da banda larga e do provedor de internet que também não irão conosco pra casa nova, descobrir como transferir o número do telefone pro outro lado da cidade...
O e-mail avisando a todos só vamos mandar depois de devidamente instaladas, pra podermos oferecer um café de verdade.
Sábado "os homens" vêm aqui pra levar tudo embora e o ateliê vai ficar vazio pela primeira vez desde que foi construído...
Bem, vazio naquelas, ainda vai sobrar um monte de coisa nele, mas o espaço ocupado hoje é tão grande que não sei como ocupá-lo com as coisas que ficam.
É uma ansiedade que não me deixa dormir...
E ainda temos que terminar tanta coisa antes da mudança...
ai socorro!!!
ai que delícia!!!
ai que medo!!!
ai socorro!!!

Apr 5, 2007

5 de Abril é um dia negro na minha família.
Há pelo menos 9 anos tememos a data.
Segundo nossos cálculos avançados, a probabilidade de coisas horríveis acontecerem aumenta em pelo menos 300% no dia 5 de abril.
Foi nesse dia que minha vózinha faleceu. Depois de 3 meses de UTI tratando uns derrames depois de uma cirurgia ortopédica devido a uma fratura na cabeça do fêmur causada por uma queda no apê, que evoluíram pra pneumonia, a vó resolveu descansar de vez.

Que eu me lembre ela morreu no final da tarde, era um sábado. Eu ia viajar com o namorado e por qualquer motivo não fomos, só por isso minha mãe nos achou. Minha irmã estava incomunicável numa fazenda com os amigos e ficou se lamentando por muito tempo.
Meu pai passou a madrugada no velório fazendo flores de papel crepom pra enfeitar o caixão. A Dona Meca ia gostar das flores de crepom, ela gostava de fazer coisas bonitas...
As flores ainda estão lá sobre o caixão (sei disso por causa da mudança de túmulo, as flores sobre o caixão salvaram meu pai de ter que ver o corpo da vó já decomposto).

Mas os dias 5 de abril seguintes foram para sempre tensos.

Um deles foi campeão, e espero que mais nenhum dia na vida acumule a quantidade de desespero daquele.
Naquela semana meu vô teve o diagnóstico de metástase do câncer que tinha tratado 2 anos antes. Naquele sábado, 5 de abril mais uma vez, ele acordou e chamou minha mãe.

Isso foi logo cedo, antes do café e dela sair pra dar aula. Queria ajuda pra preparar o testamento, organizar suas coisas. Estava se preparando pra morrer.

Vai ficar pensando "olha só que cara preocupado, importante fazer isso..."
Ah tá, super fácil pensar assim depois, quero ver o sangue frio na hora.
Mamãe saiu atordoada pra dar aula e me deixou incumbida de resgatar minha tia na rodoviária. Minha tia vinha com a notícia de que estava namorando e tava toda apaixonada (essa notícia era boa, agora ela tá casada com ele).

Mila, Li e eu fomos resgatá-la. Isso já era final da manhã, perto da hora do almoço.
Chegamos e a Mila foi brincar com as cachorras.

Gritou e voltou chorando: "Lau, a Life tá dura e gelada"
Só consegui olhar pra casinha dela.
Começamos a chorar compulsivamente, abraçadas, fungando ramelentas. Nem precisamos falar nada e a Li entendeu tudo, se juntou a nós.
Foi horrível! Ela morreu sem aviso prévio. Nunca deu nenhuma indicação de que ia morrer, não tava doente nem nada, simplesmente deitou e morreu em algum momento entre o café da manhã e o resgate da tia.
Uso uma foto da Life no mural ao lado da cama, uma dela e uma minha, parecidíssimas, pra me lembrar de pentear os cabelos e lavar o rosto antes de aparecer em público...

Pra completar o dia delicioso ainda tomei um fora. Tava tão atordoada que fui estúpida e nem deveria ter sido... tive que ligar correndo pra pedir desculpas.

Depois disso o dia 5 de abril nunca mais foi o mesmo, ele é assombrado.

É ainda um dia tenso, que temos que ficar atentas. Se alguma coias pode dar errado é no dia 5. Depois disso passa...
Beijos prá vó Meca, beijos pro vô D.A.
pra Life um carinho atrás da orelha...

saudades de vocês...

Apr 1, 2007

Se tem um episódio de Seinfeld que eu adoro é aquele "the Soup Nazi", sobre um restaurantinho de Nova Iorque que serve sopas pra viagem. Na verdade sobre o dono do restaurantinho.
Um lugar que sempre tem fila e um monte de gente esperando correndo o risco de não ser atendido se não seguir alguma das regas impostas pelo dono do lugar.
Parece que o tal do Ali "Al" Yaganeh, "O" Nazi, não gostou nem um pouco da publicidade e do jeito que Jerry Seinfeld pintou a condução de seu negócio. Mas é fato que o cafofo agora é ponto turístico de NY.
Barão Geraldo, BG para os íntimos, grande distrito cosmopolita do interior de São Paulo, também tem seus comerciantes não deixam nada a dever pro Soup Nazi... no n°1164 da Av Albino J.B. de Oliveira (AKA Estrada da Rhodia) funciona a Casa de Frangos, um lugarzinho apertadíssimo, com uma fila gigantesca e um atendimento de enlouquecer qualquer mortal.
A fumaça da churrasqueira onde os frangos ficam rodando espetados naqueles ferros enormes domina o espaço, cria uma névoa espessa que não deixa que nossa isão focalize o chão ou o outro lado do balcão de atendimento. Ainda bem! Isso nos pemite apreciar todo o sabor do frango sem nos prendermos a detalhes de higiene que vigilância sanitária normalmente cobra...
Impossível resistir ao cheiro que empesteia o centrinho da cidade.

Mar 28, 2007

Ai quanta coisa, que ansiedade!!!
Essas borboletas que não param de saracotear!!!
Esse vislumbre de maturidade, de responsabilidade, de liberdade, de ser gente grande, cuidar de mim mesma...
Esses planos frescos... que delícia!!!
Essa luz no fim de túnel tem cores tão lindas, tá lá me chamando e fico cada dia mais ansiosa pra chegar.
E esse caminho de túnel escuro, cheio de surpresas me desafiando.
A jornada que se inicia vai ser bem gostosa. Bem gostosa.
A tal da janela que se abre é isso?
Adoro janelas abertas!

Mar 27, 2007

Feche os olhos, faça um pedido... agora assopre
Muitos aniversários, muitas coisas acontecendo, e eu cansadona no final do dia pra escrever aqui... E aí bate uma culpa danada. Acho chato pra caramba ter criado blog e não escrever sempre. Pô, aniversário da Lê foi semana passada e nem escrevei nada depois. Agora tô escrevendo depois do dia que deveria ter escrito.
É que fiquei fazendo o presente da Mila. Tão pequenininho, mas deu uma trabalheira doida. Pior que cheguei lá e ainda não tinha terminado, não tinha como pendurar, e ele era pra pendurar...
pelo menos enquanto ela não pinta na pele.
Ops, a Lu vai querer me matar agora...
Fiz pra Mila um desenho, um desenho pra ela tatuar um dia no corpo... nas costas, bem abaixo do pescoço descendo pela coluna vertebral, naquele pontinho que quando soprado dá um arrepio na espinha e treme o corpo todo...
Fiquei um tempão pensando o que deveria ficar grudado nela pra sempre assim, que cores, que formas, que significado que deveria ter...
Achei que o sopro, o vento, o desejo e o riso esperançoso dos olhos fechado desejando combinam bem com minha irmã fada. As sementes esparramadas pela esperança de que dê certo, que ela espalha naturalmente enquanto anda, desenhadas em suas costas talvez soassem redundantes, talvez só fizessem os pedidos feitos ainda mais fortes...
Pequena que deixa rastro de pó de pirlimpimpim e purpurina por onde passa, que teus desejos sinceros se realizem, que ame intensamente, que se divirta muito, que só receba abraços cheios de carinho, que tenha sucesso nos teus projetos, não aquele sucesso que os outros acham que é, aquele que você entende que é. Que arco-íris duplo ilumine teus passeios, e que a lua crescente com seu sorriso de gato da Alice te faça gargalhar sempre que olhar pra ela.
E quando você tomar coragem de pintar tua pele pra sempre me chame, que eu vou lá com você pra dizer que não tá doendo.


Essa história de ter irmã fada é dura. Muita competição na página de mensagem dela, na secretária eletrônica, no celular... todo mundo quer um pedacinho dos poderes mágicos da baixinha... Não abusem, ela não veio aqui pra salvar o mundo, só pra deixá-lo mais colorido e mais feliz.


ilustração de Sara Mello, uma ilustradora que eu trombei um num blog que eu trombei num outro blog e por aí vai... Achei absolutamente maravilhosos os trabalhos dela e não pude resistir... desculpe-me pelo furto...

Mar 19, 2007

Feliz Aniversário Querida! Um mosaico de coisas deliciosas pra você!


Mar 18, 2007

Deixa só eu contar do forró!!!
Depois de muito enrolar conseguimos finalmente não ter desculpa nenhuma pra fugir do forró de domingo.
Um calor infernal, como deve ser uma noite de forró, pra aquecer e embalar o bate coxa.
Um tempinho de aquecimento na cerveja, mais umas danças pra aquecer os músculos das pernas e relembrar o corpo de todas as dicas fantásticas recebidas no verão passado.
Tenho um problema seríssimo pra dançar e pouquíssimas pessoas são capazes de compreender.
Claro que boa parte da culpa é da minha inaptidão mesmo, de não conseguir fazer minhas pernas e meu quadril se juntarem nesse movimento de contagem tão fácil "dois pra lá e dois pra cá". Ridículo isso quando lembro que já estudei flauta doce, piano e canto, e que deveria pelo menos entender de rítmos e conseguir ouvir o tal do triângulo que marca o tempo.
Mas não consigo.
Aí a situação piora consideravelmente quando lembro que danças de par são sempre machistas. É isso mesmo! Quem decide o que vai acontecer no próximo movimento é o cara.
Foda!
Difícil demais pra uma menina que leva a sério sua independência, que não gosta nem um pouco de ser comandada, muito menos por um bofe, e em hipótese alguma por um bofe desconhecido. Aí, além de pensar que tenho que ser conduzida pelo tal bofe ainda tenho que ouvir "relaxa, eu te guio"!
Ora, quem é tu pra me guiar? Péssimo isso. Travo na hora e pode esquecer o resto da dança, melhor achar outra parceira.
Que que aconteceu no verão passado: um amigo meu sacou esse negócio "feminista" e como ele sabe dançar muito bem me deu altas dicas pra não cair mais nas armadilhas duma noite de baile.
Me deu uma aula de física e não uma aula de dança.
Aí eu entendi tudo!
De física eu entendo, ação e reação, inércia, energia cinética, os tais dos dois corpos que não ocupam o mesmo lugar ao mesmo tempo (isso evita pisões nos pés alheios). Aí foi ficando até possível dançar.
Mas ainda não é com qualquer um, continuo meio dura. Minha mãe esqueceu o requebrado o quadril na mistura genética. Já pensei em processá-la por isso se não conseguir reverter o efeito com as influências do meio ambiente.
Mas voltando pro forró.
O forró do domingo é engraçado, tem aula antes e só fica uma molecada que acabou de conseguir o RG que permite a entrada em estabelecimentos desse tipo e o consumo de bebidas acoólicas. Um ou outro dançam razoavelmente bem e são mais confiantes pra levar a dança.
O calor naquele dia estava insuportável e nem cerveja gelada, nem água, nem refrigereante e nem a pia do banheiro eram capazes de amenizar a situação. Nem a chuva torrencial que caiu por mais de uma hora melhorou. Depois de três ou quatro horas rodopiando no salão voltamos pra casa encharcadas, cabelos molhados da raíz até as pontas, saia grudando nas pernas, a blusa já tinha até outra cor. Dava pra torcer os panos que pingava suor. Eca!!! Delícia!!!
Já o forró da sexta foi mais legal, tinha mais gente, gente mais velha um pouquinho. Nada de conversa fiada, nada de intimidade, pra quer saber nome do parceiro se estamos aqui só pra dançar?
Foi ótimo, uma noite de dança e silêncio, sem pensar em nada. Larguei o corpo e fiquei meditando.
Isso mesmo, meditando, com a cabeça em lilás. Só.
As pernas sendo jogadas pra lá e pra cá, rodopio, troca de parceiro, termina a música e nem dá tempo de chegar na beirada da pista já tem outro chamando... peraí que o sapato tá atrapalhando. Chuto a sandália pro canto. Pronto.
Até que um moreno gigantesco me tira pra dançar, não fala nada, mas me faz de gato e sapato. Parecia nega maluca, sabe aquelas bonecas que ficam com o pé preso no dançarino? Essas.
Chuta prum lado, chuta pro outro, joga pra frente, joga pra trás, não dá nem tempo de tentar travar o corpo, já tá tudo dominado... com a mão na coluna faz o quadril mexer, um apertão desliga todo o corpo que cai pra trás como aquelas girafinhas de elástico do zoológico...
E o corpo todo molhado...
Isso não é forró não, eu conhecia esse tipo de coisa com outro nome...
Só sei que terminei a dança querendo um cigarro.

Mar 17, 2007

mais moluscos libidinosos
Vou escrever mais uma vez sobre os caras correndo o risco de soar repetitiva (e nem ligo!).
Paixonite aguda dá nisso.
Horas e horas no repeat, cantarolando por todos os cantos, toda vez que uma palavra de uma conversa alheia chama a atenção, faz a sinapse e o impulso elétrico estimula aquela parte do cérebro que faz cantar. Coisa de gente maluca que fala sozinha e anda pela rua cantando...
não reparem ou juntem-se ao coro.
Começa a garoa e lá vou eu ..."ana vê a chuva na janeeeeela. a chuva molha aqui e lá. aqui, a chuva molha o telhaaado, molha o gato no telhaaado. lá, a chuva molha o maaaar"... toda saltitante e esquecendo que a chuva também molha meus cabelos e minhas roupas.
De coração partido apaguei meu perfil e só escrevi a letra de Suportar pra tentar explicar o que acontecia. Se soubesse como fazer, teria deixado só a melodia de coração sangrando tentando cicatrizar. É que acho genial a música. Nada deu certo, a relação acabou mesmo e só resta tentar ser feliz. É maravilhosa! E com aquele toque de canção de ninar embala o choro abafado pelo travesseiro... acho que ouvi umas dez vezes seguidas enquanto escrevia um post aí embaixo...
Prá Matar a Fome é a mais doce do disco novo, é a que espero ouvir cantada no pé dou ouvido um dia... é o amor tranquilo, cotidiano, é o comprometimento, a intimidade, de cumplicidade, o pedido de casamento mais bonito que pode ser feito... tem som de gente apaixonada, não de paixões avassaladoras e que nos deixam em cacos depois, paixão que se transforma em amor, que é escolha pela companhia do outro... é linda!
...
"
pra você, deixo a mesa posta
laranjada, tofu, croissant
e um bilhete dizendo que amo
que quero casar assim que voltar do trabalho à noite
trazendo buquê e um bocado de nomes
pra dar pro bebê
"
...

Desde o lançamento do CD em janeiro o Lasciva Lula vai ganhando cada vez mais espaço nos blogs, colunas, jornais e revistas especializados ou não.
Muitos são fãs, amigos ou paraquedistas que assistiram a algum show e caíram de paixão e escrevem agora em seus blogs (assim como eu), mas tem gente bem legal e conhecida falando bem deles. Não consegui reunir todos os comentários (links abaixo), mas no site da banda tem mais uns links.
Ontem fiquei especialmente feliz ao ver no jornal que eu assino uma crítica super elogiosa sobre "Sublime Mundo Crânio". Quatro estrelas e tudo.
Torço muito por esses caras.
Não só porque carreguei o pedal duplo do Marcello de Campinas até BH de ônibus (o roteiro estranho considerando que a banda é do Rio? pois é, coisas de movimento estudantil, os encontros não são nas cidades natal, são pelo mundo, e as encomendas viajavam por esses percursos), mas porque acho mais gente deveria ter o prazes de poder ouvir Lasciva Lula tocando, que seriam mais felizes com as músicas deles enfeitando a trilha sonora des suas vidas.

(foto da gravação do clipe de Olivia Lik retirada do site da banda)

Mar 14, 2007

Feliz aniversário querido amigo!!!
Bolos, jujubas, refrigerantes, brigadeiros e beijinhos, velas pra assoprar e fazer pedidos. Confetes, serpentinas, luzes piscando coloridas, globos de espelho rodando sem parar, paredes grafitadas, luz negra, muita cor, muita gente feliz em volta, muitos beijos, muitos abraços, muitos amores, muitos amigos. Sons que te façam sonhar ainda mais do que já sonha. Dias de sol, rede de pesca, coisas de macho, areia massageando os dedos dos pés, sol acariciando tua pele e chuva fina de verão só pra refrescar depois. Noites de lua brilhando pra ficar procurando São Jorge ou o coelho, e noites sem lua pra contar estrelas dançando. Manhãs chuvosas de domingo pra dormir tranquilo. Paixões avassaladoras pra te inspirar loucuras, pra acreditar que tudo pode dar certo.
Muita felicidade pra você, meu amigo mais antigo. Beijos, beijos e mais beijos

Mar 13, 2007

"Must love dogs" (novo título pós comentário da Mila)
Já falei da resolução da minha eterna briga com a balança, o desfecho para o qual se encaminha essa história, e, quando chegar a hora teremos uma sessão de "antes e depois" ou "bem antes e agora".
O que não falei foi do desfecho das outras histórias contadas.
Não falei porque não tava com vontade de falar, porque tava com vontade de calar e só. Se fosse coisa boa teria contado rapidinho, sairia gritando por aí, escreveria texto enorme em "out door", mas não foi o caso.
O que se sucedeu foi mais um enorme pé na bunda, uma dor de cotovelo digna de cantores do rádio da década de 50 que meu pai insiste em ouvir. Melhor então ficar quieta, não alardear esse tipo de coisa...
E eu consigo? Consigo nada.
Agora que já dá pra respirar também dá pra escrever, e até fazer piada com essa vida amorosa patética.
Tô pensando se é um drama ou uma comédia romântica (claro que torço pela segunda opção). Talvez até faça uma lista como em "Mais estranho..." e depois vou arrumar briga com esse roteirista que já tá avacalhando com a minha história. Qualé?
Mas as desgraças da semana passada me levaram a umas viagens muito importantes, com peso de resoluções de ano novo.
Fiquei pensando, depois de uma dúzia de anos que, apesar de parecer o contrário, todos os primeiros passos foram meus. É sério. Que lenta! Levar tudo isso de tempo pra perceber uma coisa dessas? É, não sou conhecida pela rapidez de compreensão dos assuntos relacionados ao coração, tenho uma leve surdez na frequência dessa batida que estou tratando agora.
Tá, ele tem alguns créditos quando nos conhecemos, tem também os créditos dos puxões pela cintura e por falar claramente quando queria o beijo, mas a procura pela companhia, pelo menos nos encontros da segunda metade da dúzia de anos de idas e vindas, fui eu que iniciei.
Todos eles.
Até aí não tenho problema nenhum com isso. Gosto de tomar iniciativas e não tenho paciência pra ficar com joguinhos. Acho chato e uma perda de tempo danada. (Isso aprendi não faz muito tempo, mas a foi lição anotada e colocada em prática)
Assim, percebi também que, apesar de acusada de não ter dado bola, de ter partido o coração dele uma certa quantidade de vezes, de tê-lo feito esperar pela primeira metade dessa história, ele também não fez a parte dele. Ele não brigou.
Eu sou briguenta, mesmo com esse tamaninho, eu gosto de uma encrenca. Ainda mais quando acho importante. E gostar de alguém é importante.
E ele não brigou comigo, não me chamou de ridícula quando claramente estava sendo, não segurou meu braço, não me puxou pelas mãos, não apareceu no meu portão pra me ver (não teria resistido... nunca resisti ao cheiro dele, porque resistiria?), nem conversa por e-mail iniciou.
Não brigou por mim. Nunca!
Sabe aquelas atitudes cheias de testosterona, "eu quero e vou lá", não importa se a batalha será difícil, "não aceito não como resposta" e tal? Aquele tipo de coisa que os manuais de auto-ajuda femininos nos dizem que os homens fazem quando querem alguma coisa? Ele não fez...
E no meio da minha crise caiu minha ficha: "ele simplesmente não está afim de você!"
Putz! Caiu o mundo!
Mas é mais fácil engolir "ele simplesmente não está afim de você" do que "ele gosta de você mas não tem coragem de tomar atitude nenhuma e tem medo de virar a vida do avesso".
Muito mais fácil e muito menos dolorido.
No segundo caso minha tristeza se somaria a um sentimento de pena e de impotência gigantesco. Não poder ajudar a um amigo perdido capaz de verbalizar sua insatisfação com a atual situação e sem forças pra mudar as coisas à sua volta é terrível.
E pra não iniciar uma briga na justiça e com toda a classe dos físicos pedindo reparação de danos pela Lei da Inércia prefiro considerar que ele simplesmente não gosta de mim, e nunca gostou tanto assim como dizia que gostava.
Conclusão de tudo isso?
Eu quero briga!
Mais um requisito na lista "Do Cara": tem que brigar por mim.
E brigar por mim não é sair na porrada, não é ter ciúme(pelamordedeus, ciumentos, afastem-se), não é afastar as pessoas que me cercam, não é grudar no meu pobre pé e achar que não vive sem mim depois de meia hora de encontro, combinado?
Essa briga que eu falo é cheia de cortesia, de galanteio, de flores (ah, flores são muito bem vindas), de mimos (serão todos retribuídos, garanto), de romance, e, quando eu for estúpida e fujona (pois é, acontece nas melhores famílias, e pânico pode vir sempre) tem que discordar de mim, não pode perder o rebolado e sair de cena. Se a batida do coração (aquele que eu tô tendo que usar aparelho auditivo pa ouvir direitinho), a respiração, a pele e os olhos pedem pra ficar, fique. Só isso.

Mar 11, 2007

Tô conseguindo.
Depois de 4 meses de regime tô chegando ao mesmo peso que tinha aos 14 anos.
Só pra não ficarem preocupados com anorexias, bulimias e outros disturbios alimentares, eu nunca fui magriiiiinha, nunca cheguei nem perto de "pele e osso", com 14 anos eu tinha bastante carne em volta dos ossos. O problema foi que colegial e faculdade aumentaram a quantidade de matéria entre a pele e o osso.
A diferença principal é que a carne era mais nova, mais durinha e praticava esportes. Não tinha o volume de cerveja acumulado na barriga e isso faz muita diferença à silueta atual.
O peito também não balangava tanto, mas o gingado de hoje é mais mais gostoso, acompanha a dança, o movimento, tem mais expressividade...
O quadril tá mais largo, a cintura mais fina, o tronco parece mais comprido, o rosto também tá diferente, tem uns ossos que sempre ficaram escondidos pelas buchechas que agora se mostram (volto: não é magreza mórbida, é só envelhecimento mesmo).
Gosto bem mais de mim agora do que de mim de antes.
Acho o espelho bem menos crítico com as celulites, com os vasinhos, com as estrias, com os dias de inchaço antes da menstruação. Os "bad hair days" já não são mais tão desgastantes quanto antes, e qualquer produto, um pente ou uma ducha já resolvem o problema que antes era motivo de mal humor e choro por horas.
Ainda não uso cremes anti-rugas, até porque, só faltava! Enquanto me pedirem RG e duvidarem que eu já terminei o colegial, não vou usar anti envelhecimento nenhum. Creminhos hidratantes, muita água e limpar a maquiagem não fazem mal a ninguém, certo?
Sem neuras, que tá cedo pra isso.

Feb 27, 2007

Fala sério!!!
Tem um projeto de lei que tava acompanhando por que gostei muito quando li a proposta. Na verdade só agora que descobri que ele também tinha sido apresentado na Assembléia Legislativa do Estado, tava triste que a medida era só pra cidade de São Paulo...
Foi apresentado na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo pelo deputado estadual Simão Pedro o Projeto de Lei 216 de 2004 que tornaria obrigatória a instalação de bebedouros de água potável nas danceterias e casas noturnas do Estado de São Paulo.
Levante a mão quem nunca preferiu comprar uma outra lata de cerveja na hora da sede quando viu que o preço da água era o mesmo da cerveja?
Bom demais o projeto, não? Simplesinho de tudo...
Seria bom demais, se nosso querido governador não tivesse vetado.
Vetou por que mesmo? Porque instalar bebedouros vai CONTRA a política nacional de drogas, é mole? Anta!
Sugiro a leitura do texto completo do veto na página da Soninha, que fez a proposta na câmara de vereadores de São Paulo em Setembro de 2005, e da coluna do Gravataí Merengue que pelo menos ri da situação ridícula.
É pra ficar muito puta da vida com tamanha patetada do governador. Affe!

Feb 26, 2007

OSCAR 2007
Perdi feio no bolão de apostas...

Filme: Babel, perdi, quem venceu foi "Os infiltrados"
Diretor: Alejandro Gonzáles, perdi também, quem levou foi o Martim Scorsese
Ator: Will Smith, esse tinha coraçãozinho do lado, porque eu sabia que não ia levar. Como previsto Forest Whitaker ficou com a estatueta
Ator Coadjuvante: Eddie Murphy, que tava super bem, todo mundo achando que ia ganhar... quem ganhou foi Alan Arkin, de Pequena Miss Sunshine, que eu ainda não consegui assistir.
Atriz: Helen Mirren. Aha! Só eu acertei essa em casa! Pontos pra mim!
Atriz Coadjuvante: Jennifer Hudson. Mais pontos pra mim! Mas a Li roubou, mudou o voto (antes da premiação, mas mudou) e também pontuou.
Animação: A Casa Monstro... caramba, mesmo pessoal da Viagem de Chiriro, achei mesmo que fosse ganhar... Happy Feet teve mais votos...
Roteiro Original: A Pequena Miss Sunshine. Tá, todo mundo votou nesse, nem vale tanto assim o ponto.
Roteiro Adaptado: Pecados Íntimos com coraçãozinho ao lado... Os Infiltrados mais uma vez
Filme Estrangeiro:Dias de Glória. Voto completamente às cegas, não tinha assistido a nenhum deles e achei que seria legal torcer por um filme Argelino. Perdi! The Lives of Others, filme alemão levou o prêmio.
Documentário Curta Metragem: Recycled Life... gostei do título... minha mãe gostou do título que tinha mais sangue no meio The Blood of Yingzhou District e pontuou.
Maquiagem: Click. perdi. O Labirinto do Fauno ganhou.
Direção de arte: Piratas do Caribe, claro! É... ponto pro Labirinto do Fauno...
Fotografia: Dália Negra! Caramba, a fotografia foi tão comentada... Labirinto do Fauno mais uma vez
Edição: Babel. Errado! Scorsese mais uma vez com Os Infiltrados.
Figurino: Dreamgirls com aqueles vestidos brilhantes de sereias... Maria Antonieta levou... aff, filmes de época!!! (eu sei que é Sofia Coppola, mas e daí?!)
Trilha Sonora: Babel. Ahá! mais um ponto pra mim...
Canção: Listen. Puxa vida... 3 indicações de canção e nada de prêmio? E aí ganha o prêmio o documentário??? muito estranho, muito estranho...
Som: Piratas do Caribe!!! Pô, segundo filme da trilogia sendo indicado? Vai ganhar, claro!!! ou não! As Dreamgirls levaram.
Edição de som: (confesso que sempre me confundo... quer dizer, não tenho a menor idéia de como diferenciar uma coisa da outra na hora de votar, mas quando veja na cerimônia o nome correto e completo sem tradução bato a mão na testa "putz") A Conquista da Honra! Claro que filme de guerra tem que ganhar... ganhou, o outro, do mesmo diretor e mesma equipe, mas o que eu não tinha votado.
Efeitos visuais: Piratas do Caribe, com coraçãzinho "Ó-B-E-V-E-O"!!!! Iei, mais um pontinho valendo por dois!!!
Documentário de longa metragem: Uma Verdade Inconveniente. Mais um ponto!
Curta: Helmer & Son, chute mesmo, sem a menor idéia do que se tratava... muito arrependimento quando vi os traileres, teria votado em West Bank Story, que ganhou.
Animação de curta metragem: foi o melhor prêmio da noite: na hora da votação, não conhecia nada e escolhi o com o nome mais bonito "Danish Poet". A Li tirou um sarro danado da minha cara e não quiz mudar meu voto quando descobri que "No time for Nuts" era dum brasileiro, e pô, tem que torcer pelos brasileiros, mesmo os pagos em dólares. Quem que ganhou? hein, hein? "Danish Poet"!!! Glória!!! Muito bom ganhar da Li quando ela se fode assim... hahaha

Saldo da noite: 7 pontos, sendo um com coração e outro com sabor de vingança.