Jul 30, 2007

Não consigo escrever porque meus dedos congelaram quando descacei minhas luvas.

Jul 27, 2007


Bumblebee, um dos autobots que é responsável por cuidar do adolescente que tem o mapa para o lugar onde está escondido "O Cubo"

Sim, eu fui assistir aos Transformers.
Pois é, concessões que temos que fazer... se ele tem que assistir aos "filmes de menina" comigo, eu tenho que assistir a "filmes de meninos" com ele. Faz parte do acordo.
Mas eu gostei, confesso. Não foi tão estranho...
Tá é verdade que são robôs humanóides extraterrestres com livre arbítrio oriundos da agregação de uma alma a robôs comuns... mais estranho que Inteligência Artificial... mas, deixa pra lá, melhor não tentar entender.
Divertido é o clima de desenho animado misturado com gibi e brincadeira infantil. Tem moral da história, tem os robôs bonzinhos que gostam dos seres humanos e acreditam que eles não devem ser punidos pelos robôs do mal só porque estão destruindo o planeta. No meio da maior briga entre os dois mais poderosos o grande robô bonzinho fala pro outro “eles que devem decidir se merecem o planeta ou não!”. E a voz grave de pastor na narrativa dos fatos, o grande robô chamando os outros perdidos pelas galáxias pra se juntarem no Planeta Terra onde tinham sido bem acolhidos pelos queridos seres humanos... Impagável.
Mas não pode rir no cinema senão chove copo com coca-cola na cabeça.
Os robôs “do bem” (Autobots) se transformam em carros bacanudos, já os robôs “do mal” (Decepticons) transformam-se em tanques de guerra, helicópteros de combate e até em bichos, só coisa feia, os outros são bontinhos.
O moço me explicou que tem os Autobots, os Decepticons, os Insepticons, os Constructicons e mais alguns outros tipos... não sei se entendi muito bem não, então fui procurar num site especializado agora e descobri um monte de outros robôs: os Throttlebots, os Monstrerbots, os Technobots, os Protectobots, os Aerialbots, os Dinobots, as Fêmeas (detalhe aqui é que são só 6, num universo de 95 robôs, preciso falar mais obre “programa de menino”?) os Cientistas e “Médicos”, os “Minicars”, os “Cars”, os Comunicadores e Cassetes e os Líderes.
Mas o melhor é a carinha de bonzinho do carro do menino, o Bumblebee (lá em cima) que se transmuta num Camaro amarelo todo arrebentado e soltando fumaça que tocas músicas românticas pra conquistar a menina. Claro, todo filme tem que ter uma mocinha que não é tão boazinha assim pra ser salva e ser musa do mocinho, mesmo o mocinho mais tonto...
E tem os “hackers” adolescentes que descobrem que o invasor do sistema de defesa americano só pode ser extraterrestre.
Viu, muito bom né?!
Também achei, me diverti demais. Ainda mais com as explicações do moço de porque é que aquilo era tão bom. hihihi

Jul 24, 2007

ÊEEEEEEEEEEEEEEEEE MUNDÃO!!!

certo, certo, tão fora de foco quanto minha vista na volta da balada, mas dá pra entender...

A rua atravessada pela manada é a principal avenida do bairro e as bolinhas de pelo passando são enormes capivaras!
Isso mesmo, uma gigantesca família de capivaras, com mamãe, papai, irmãozinhos, primos , enteados, agregados, vovô, vovó, mais uns parentes distantes, todos passeando pelo centro da cidade numa noite de chuva e nenhuma lua.
"Peraí, que que é isso? Volta! Dá pra dar ré? Meu! São capivaras! Credo, tem mais vindo! Cadê teu celular? Como é que funciona a câmera disso?"
"Vamos seguir mais um pouco, agora eu quero saber pra onde é que elas vão!"














viu, isso é a vida no interior paulista!

Jul 20, 2007


Hoje vou jogar confete sobre mim mesma! E sobre minhas sócias e nosso escritório.
Eu mereço e minhas sócias merecem. Podem aplaudir, podem divulgar, podem pagar cervejas pra nós, nós merecemos!!!
Isso mesmo, nós somos o máximo!!!
Sabe o que que aconteceu?
Um projeto nosso foi publicado numa revista de arquitetura. Não numa daquelas revistas que arquitetos lêem (calma, ainda chegaremos lá...) mas numa dessas que clientes lêem, que pessoas comuns querendo construir procuram pra "tirar idéias". Bom demais, não?
É bem pé no chão mesmo, bem cotidiano... A Di que comentou bonito sobre o ocorrido...
Eu, por enquanto, só tô gritando de tanto orgulho.
O legal é que foi um dos nossos primeiros projetos residenciais, que está realmente sendo construído e foi feito pra um casal de amigos que eu gosto demais...
Ah, tô morrendo de orgulho de nós mesmas!!!
Propaganda da revista agora:
Arquitetura e Construção, reportagem de capa é sobre pisos de madeira, nas páginas 122 e 123 seção projeto.

hahahahah
eu tô rindo sem parar!!!!


se o link não funcionar, tente aqui, e se pedir senha internet da edição digite APARTAMENTO

Jun 28, 2007

sagui no vitrô
flôr branca sob fio de sol
água cai gorda



"Você lapida sua métrica e poda as palavras... fazendo da arvore-poema um haicai-bonsai! "


um sagui resolveu aparecer na janela, a pitangueira tá toda florida, um raio de sol ilumina as flores brancas e caíram umas gotas gordas de chuva por cima de tudo isso

Jun 22, 2007

Que displicência a minha. Mais de dez dias sem uma atualização no blog... feio, muito feio isso... mas tenho desculpas muito boas.
A primeira é a quantidade de trabalho. Quando o escritório tá assim não sobra tempo livre na internet pra ficar atualizando blog e pensando bobagens. Isso é bom. Muito trabalho é bom!
A segunda é que o computador em casa está sempre ocupado e eu não consigo mais chegar perto dele depois do trabalho. Isso também é bom. Computador está diretamente associado ao trampo e não tenho nada que ficar levando trabalho pra casa. Cada coisa no seu lugar. E não parar mais em casa também ajuda bastante. Ou estar em casa mas simplesmente não estar interessada em ficar comigo mesma e meus pensamentos via internet, já que tem coisa muito mais legal pra fazer, também me afastam daqui.
Só que os assuntos se acumulam, as novidades vão deixando de ser novas e eu nem falei nada sobre elas.Por exemplo, não falei do dia dos namorados, escrevi no dia, postei parte de um presente e não falei nada do depois do dia. Não falei do super presente com direito a valsa sob a neve e bolas gigantes. Não falei dos palhaços, do frio, da música, da chuva guardada no envelope, não contei nada...
Tava aqui pensando e acho que nunca recebi um presente tão acertado na vida. Nem de dia dos namorados, nem aniversário, Natal, Páscoa, dia das crianças, lembrança de viagem... nada comparável (não irmãzinha, vc sempre acerta, mas... ah, vc entendeu!). E a ansiedade pela troca de presentes? Que delícia! Nem lembrava que era assim tão bom (ou nem sabia que era assim tão bom, talvez nunca tivesse sido TÃO bom)... descobertas deliciosas nestas últimas semanas.
Meu "eu-cínico" tirou férias por tempo indeterminado, está pensando seriamente em aposentadoria e viver de fazer trabalhos de escritora free-lancer vez ou outra, só a convite especial com data de chegada e de partida.
Tempo atrás recebi um recado aqui, um mantra pra repetir sempre "calma. o amor vem." Pois é, veio.
Dica então: repirem fundo e repitam: "Calma. O amor vem!"
E meus pés não tocam mais o chão...

Jun 12, 2007

Só porque hoje é dia dos namorados e eu tô escorrendo mel por todos os poros: um pouquinho de Cole Porter pra embalar e aquecer corações.
Não sendo capaz de decidir entre duas versões da mesma música resolvi postar as duas, a música é linda mesmo, qual o problema de ouvir um zilhão de vezes, certo?
(uma delas só está linkada aqui porque o querido YouTube não está colaborando comigo)

True Love (Cole Porter )

Suntanned, windblown
Honeymooners at last alone
Feeling far above par
Oh, how lucky we are
While I give to you and you give to me
True love, true love
So on and on it will always be
True love, true love
For you and I have a guardian angel
On high, with nothing to do
But to give to you and to give to me
Love forever, true
For you and I have a guardian angel
On high, with nothing to do
But to give to you and to give to me
Love forever, true
Love forever, ...true

George Harrison´s True Love

versão mais agitadinha da linda canção de Cole Porter

Night and Day written by Cole Porter

Like the beat, beat, beat of the tom tom
When the jungle shadows fall
Like the tick,tick, tock of the stately clock
As it stands against the wall
Like the drip, drip drip of the rain drops
When the summer showers through
A voice within me keeps repeating
You, you, you

Night and day you are the one
Only you beneath the moon or under the sun
Wheather near to me or far it's no matter darling
Where you areI think of you
Day and night, night and day
Why is it so that this longing for you
Follows where ever i goIn the roaring traffics boom, in the silence of my lonely roomI think of you
Night and day, day and night
Under the hyde of me , theres an oh such a hungry yearning burning
Inside of me
And this torment wont be through
Till you let me spend my life making love to you
Day and night, night and day

(pra um certo trompetista...)

Jun 11, 2007

Obituário

Teve uma boa vida a pequena dachshund dourada. Grande caçadora e furadora de poços artesianos pelo quintal, disse certa vez que encontrou sua vocação ao mudar-se, ainda adolescente, de Ribeirão para Campinas. Erroneamente em seus primeiros documentos teve seu nome preenchido como Phyllis, fato que causou pequeno mal estar na família que a acolhera, mas que logo foi corrigido, recebendo finalmente a alcunha de Shyspa Cristina Reily.
A pequena Shys não conviveu muito com sua mãe, o que não impediu que seu instinto maternal aflorasse logo na primeira oportunidade. Teve grande laço de amizade com Raya, a bela vira-latas preta com quem dividiu o aluguel por quase dois anos e que deixou muita saudades na pequena cachorrinha quando passou dessa para a melhor. Para não sofrer tanto com as saudades transferiu todo seu carinho para a pequena Weirmaraner recém acolhida na residência, a quem tratou como uma de suas crias.
Conviveu bastante com sua negra irmãzinha Natasha, brincando muito durante as férias e depois por um período mais longo por conta de uma bolsa sanduíche.
Shys foi mãe de 8 ou 9 crias. Emprenhou apenas uma vez numa visita íntima de Corisco (que copulou e nunca mais deu notícias). Desse caso furtivo pariu 5 filhotes lindos, os outros ela adotou. Adotou a Life e depois a cria renegada da Life, que com sua ninhada de 11 filhotes pretos, nascidos de um amor proibido, não dava conta de amamentar a todos.
Sofreu muito durante toda a vida com as piadas com seu nome, as brincadeiras infames que sempre faziam com que se sentisse enganada, expulsa, traída até... mas no final de sua jornada já não ligava mais pra isso. Conhecia seu papel, sabia de seu poder e usava e abusava dele. Fazia de gato e sapato todos ao seu redor.
Shyspinha hoje está correndo atrás de gambás no Céu dos cachorros feliz e saltitante.

Jun 6, 2007


No domingo acontecerá em São Paulo o segundo evento da minha lista de preferências, o primeiro ainda é a Virada.
A Parada do Orgulho Gay é a festa mais colorida da cidade, bate qualquer baile de carnaval. É toda purpurinada, cheia de plumas, paetês e gritinhos histéricos. Adoro! Sempre adorei!
Já estamos na 11ª edição, mas lembro bem da primeira, quando ainda não era tãaaaao grande. Fui com meu pai, ficamos na ilha da Paulista, bem em frente ao Conjunto Nacional vendo todas as tribos passando. Todo tipo de gente... Umas Drag-queens maravilhosas, com aquelas pernas quilométricas sobre saltos gigantescos vermelhos de verniz rebolando feto lagartixas. Logo atrás os machões go-go boys com cuecas de couro e suspensórios... homens lindos... passavam por mim e entregavam cartãozinho da balada pro meu pai, fazendo aquela cara "suma, baranga!" e sorrindo pro véio. Tá, véio não, que meu pai é um coroa bem do bonitão.
Num outro ano eu simplesmente esqueci da Parada. Tava num encontro de estudantes e depois de uma semana trabalhando virando noite voltava de trem de Mogi para São Paulo com um mochilão enorme nas costas. Na baldeação na estação da Sé começo a ouvir um som de criadouro de perus gluglugluglugluglu descendo pelas escadas rolantes, assustada olho pro lado e vejo uma horda de donas cheias de plumas e muita maquiagem brilhando e cantarolando. "AAAAAAAAAH, hoje tem parada gay!!!! Iei!!!!" Liguei correndo pra casa "Paps, vocês vão na Parada né? Tô chegando aí""Estamos saindo já, deixe tua mochila aqui e nos encontre na marquise do Conjunto Nacional..." hahahah fácil! Ponto de encontro um tanto vago, não?!
Voltei correndo pra Paulista e por algum milagre, ou talvez pelo faro mesmo, encontrei minha família. Pai tava em cima de um canteiro olhando tudo por cima, a Mila tava lá no meio da muvuca fotografando tudo "aumentando repertório". De repente vem um carro de som, daqueles trio-elétricos amarelos enormes e Wanderléa lá no alto. Meu pai não se aguenta e grita com toda a força do pulmão dele WANDECAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, tenho certeza de que ela ouviu. Certeza! A mulher vira pra nossa direção e manda um beijinho pro velho. Quase que tive que levar meu pai direto pro hospital carregado pela Drag-enfermeira que passava por ali.

Jun 4, 2007

Tô cansada, muito cansada de não fazer nada hoje.
Tava tão bom o final de semana... no final de semana eu posso não fazer nada sem culpa nenhuma, ou fazer umas coisinhas e também não sentir culpa, mas não fazer nada na segunda feira e ainda ficar esperando pelo feriado da quinta é o fim.
Então eu resolvi por em prática o plano iniciado no final de semana, até porque fiz umas contas e descobri que meu prazo nem é tão grande assim e não dava pra ficar dando bobeira. Então peguei os textos e comecei a ler para escolher meus favoritos.
Quando conseguir compreender os texto estou certa de que minha escolha será mais fácil.
Metida que só eu, resolvi ler na língua original, esse negócio de tradução é superestimado, muito mais gostoso ler como o autor escreveu, com a respiração e as sacadas dele... muito bom também quando você tem domínio da língua dele.
Não é o caso.
Os dois anos de aulas (há pelo menos 5 anos) e uma viagem de 20 dias não foram suficientes pra entender o que Calvino escreve. Agora fico aqui batendo a cabeça, consultando dicionário a cada duas ou três palavras e pagando o mico de ler em voz alta pra ouvir a pronúncia dos zzs, chs, gnis etc, na confiança de que seu significado se iluminará na minha memória.
Cena ridícula.
Mas a desculpa pra retomar meu contato foi bem boa até, a inspiração veio em boa hora. As palavras lidas não são totalmente sem significado aos meus olhos ou ouvidos, fazem parte de uma lembrança, já passaram por aqui, conheço esses sons e essa composição das palavras...
Quando entrei na faculdade de arquitetura e percebi que grande parte da bibliografia do curso era em italiano e que meu inglês pouco me adiantaria ali, corri fazer minha matrícula numa escola de Italiano. Eu e um namorado, que se orgulhava das raízes italianas e do nariz grande. Eu, como boa nerd que sempre fui, pegava no pé com os estudos, fazia os exercícios todos, mesmo que fizesse dentro do ônibus à caminho da aula, mas fazia. Queria uma tal duma bolsa de estudos no exterior, um convênio da minha faculdade com alguma faculdade na península Apenina, mas que depois desisti. Não porque não tivesse aprendido o idioma, mas porque descobri que minha curiosidade ia para outro lado, não para aquele que a escola se voltava (isso é tema pra outro post, não este).
O namoro terminou, as aulas continuaram mais um pouco e depois a professora mudou de ramo... eu larguei os estudos, contentando-me com um pouco de cinema italiano esporadicamente. Agora tô sentindo falta.
Deve estar na hora de voltar a estudar. Acho que é isso... Talvez um pouquinho de Italiano, depois Francês (que só tive contato por 6 meses enquanto morava na Inglaterra... não fez sentido, né? qualquer dia explico), Espanhol... Espanhol também é gostoso de falar... não tanto quanto italiano e também não acho a língua tão sexy... Talvez um dia encare um alemão, será?
Talvez se eu parar de ficar só falando e sentar a bunda na cadeira direitinho meu projetos tomem corpo mais sólido... talvez o mestrado saia e não reclame mais de tempo parada... só da falta de tempo pra fazer tudo o que preciso.
Muito mais gostoso reclamar da falta de tempo.

Jun 1, 2007

Nunca contei da vez que a polícia resolveu que a Cuca e eu seríamos ótimo escudo humano numa perseguição policial, né?
Pois é, o ocorrido foi assim:
Saímos as duas pra levar um projeto pra marmoraria, fazer um orçamento e escolher umas pedras. Estávamos comemorando o fato de o carro da Cuca ter saído da oficina no dia anterior, depois de mês e meio de funilaria.
Tranquilamente conversando sobre o preço do granito e a escolha que o cliente faria (provavelmente diferente da nossa) , eis que surge uma viatura policial atravessada no meio da pista, 2 guardas. Enquanto um dava um sinal que entendemos como "diminua a velocidade" o outro saía pela outra porta do carro. O outro sacou a arma, abaixou protegido pela viatura e apontou pro carro atrás do nosso, o um foi fechando a nossa saída e tentava se proteger com o nosso carro. Entendemos aí o sinal " pare o carro e abaixe". Ah tá! uma olhou pra cara da outra "Diminua a velocidade e entre na Vila, mas não pare! Passa por cima!"
Antes ele do que nós, certo?!
Eles só esqueceram que ladrão não tem muito respeito pelas leis de trânsito, e que invadir a pista na mão errada nem é tão grave assim durante uma fuga, ou eles acharam que o cara tava preocupado com a multa?
E vocês achando que ser arquiteta é moleza... Profissão de risco...
Hoje o risco foi durante o almoço.
"Manhê, manhê, vem ver, eles prenderam o cara, ele tá lá dentro do camburão" "manhê, vem ver, vem ver, eles tão tirando a gasolina da moto" "manhê, aquele negócio já desceu a coisa, vem ver!""vou lá ver só mais um pouquinho tá?!""ah, manhê, eles já foram embora"
E eu lá, tentando almoçar...

Un tocco di zenzero

...porque eu prometi o vídeo pra uma pessoa querida... e deu saudades...

May 30, 2007

Queria falar sobre cheios e vazios. Primeiro sobre o vazio.
Do vazio que se estabelece depois de rompimentos, que é fim, e que é preparação do terreno pra situações novas. É incômodo, é pentelho, não dá chão, nem colo, é incontrolável, não adianta ir contra, têm que se entregar pro vazio... um dia o oco cansa e se deixa preencher.
Aí que começa a parte gostosa.
Mas não vou mais me aprofundar sobre o vazio, porque apesar de reconhecer sua importância, não gosto dele.
Numa aula de estruturas na faculdade de arquitetura o professor tentava explicar como funcionavam os agregados do concreto, que a areia preenche o espaço entre os pedriscos, que por sua vez preenche o espaço entre as britas nº1, as nº2 e por aí vai, até que se acrescente o cimento e a água que vão ocupar os últimos pequenos espaços que sobraram pra fazer tudo virar uma coisa só. E depois da cura ele é estrutura.
À estrutura somam-se a vedação, as entradas de luz, de ar, as passagens, os locais de ficar um pouquinho e os de ficar muito tempo... E recomeça a lida de preencher os espaços, pra trazer aconchego, calor e refresco, a impressão da personalidade, a adaptação aos jeitos de usar, os móveis, os tapetes, toda a firula, que são elementos mutáveis, que se acumulam ao longo do tempo, que podem sofrer reformas, receber pinturas novas e luzes diferentes.
Essa parte, o preenchimento do vazio, que é a mais gostosa, é recompensa pelo tempo da cura.

May 29, 2007

Ô santa falta do que fazer... já baixei todas as músicas que queria, já escrevi todos os e-mails atrasados, já xeretei o orkut de todos os conhecidos e dos conhecidos deles e agora, antes que resolva cometer o maior dos crimes internauticos (não ô, pornografia não, né?!) resolvi entrar aqui e exorcizar a vontade.
Escrever melhora tudo... melhorou a cólica da sexta, porque não resolveria agora.
O que desencadeou minha vontade criminosa foi avacalhação da produção de Grey's Anatomy que passou três episódios tentando matar a personagem principal.
Eu sei que não se mata personagem principal, muito menos a personagem que dá nome à série, que às vezes eles são colocados na geladeira um pouquinho pra baixar o salário milionário, ficam um ou dois episódios como figurantes, mas não saem de cena... Agora, precisa fazer a gente sofrer tanto assim??? A ponto de pensar em baixar na internet o próximo episódio, só pra acabar com angústia da semana de espera?
No primeiro dos três episódios da enrolação a mocinha tenta se afogar na banheira e é salva pelo lindíssimo namorado herói, no final ela é atirada ao mar depois de socorrer um ferido duma explosão da balsa e a única testemunha da queda é uma menininha catatônica que estava com ela. Uma semana sofrendo com o possível afogamento da protagonista. Segundo episódio: o herói vê a menininha sozinha e pergunta pela namorada, a menina aponta pro mar e ele pula pra salvá-la, como se já não bastasse a semana inteira dentro da água, o resgate da moça azulzinha só acontece lá pela metade do episódio. No final, toda a equipe de cirurgia em volta da mesa com a moça azul toda entubada e sem pulso... piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii... uma semana ouvindo o piiii daquela maquininha que marca se o coração tá batendo ou não.
Ontem finalmente acabou... credo, que episódio mais tenso... todo fantasmagórico, cheio de personagens-pacientes que marcaram os momentos mais tensos... olhos lacrimejando do princípio ao fim. Xingos todo início de comercial. Pra quê pausa nessas horas??? "ela não vai morrer, eu não vou deixar morrer a filha da Ellis Grey" "manhê, eu quero fazer cocô na casa do Pedrinho!" afff

May 28, 2007

Eles finalmente lançaram o videoclipe. Tão lindo quanto a música.
Terminei de assistir agorinha mesmo e tive que criar o link:

Clique aqui
Tô falando daqueles caras que passei o mês de janeiro inteiro comentando sobre o CD novo, Lasciva Lula, banda que tá linkada aqui ao lado e que merece uma visita internautica.
O clipe foi dirigido por Bernardo Jucá e com participação do ator Guilherme Winter (lindo também), "Pra matar a fome" é a primeira música do cd "Sublime mundo crânio" a ganhar videoclipe, o que significa que outros virão...

Lindos, lindos, lindos

May 25, 2007

Querido, precisamos conversar. Não dá mais pra ficar assim. Não gosto de ser maltratada e você sabe disso. Já estamos nessa situação há quase 15 anos e você ainda não se acostumou?
Eu entendo teu ponto de vista, mas discordo dele. Já conversamos sobre isso antes... milhares de vezes... Sei que se prepara durante todo o mês e que sou eu que não colaboro no final, mas você tem que entender que não será agora, nem será tão logo.
Pense, hoje, pelo menos, não te engano mais como te enganava antes. A situação já foi muito pior pra você.
Particularmente, neste aspecto eu gostava mais daquela situação, mas não vou entrar no mérito agora. O que importa é que hoje meus deslizes são muito raros, e você tem essa trabalheira toda à toa, sem nenhuma ação minha que te leve a pensar que deveria fazê-lo. Então, porque me atormenta agora?
Já não basta esse frio que congela meus ossos, que resseca minha pele, que faz meu pulmão respirar com dificuldade ainda vem você piorar toda essa situação. Por favor querido, pare.
Entenda que não sou a única culpada aqui, a situação econômica do país também não colabora, a profissão que escolhi tem uma média de 5 anos de trabalho antes da estabilidade financeira, e ainda precisarei de muito tempo de treino antes de poder usufruir dos preparativos que faz pra mim. E precisarei de boa companhia pra isso, não só para o treino, mas principalmente pra quando decidir usá-lo de fato. E essa parte é bem difícil, não tem nada a ver com você, meu bem.
Então, aquiete-se, pare de me pressionar.
Pare com essas contrações malditas, que esqueci o atroveran em casa!!!

May 23, 2007

O copo plástico branco de 400ml vazio e pisoteado era a única testemunha do ocorrido...
Tinha sido pivô do desentendimento e jogado ali no chão sentia-se cheio de culpa. Não era culpa dele, pobrezinho.
Pouco tempo antes estava ele, todo feliz, cheio do líquido amarelo gelado com bolhinhas e uma camada de dois dedos de espuma que cobria tudo. A boca tocava sua borda e bebia com gosto seu conteúdo. Largos goles que matavam a sede e agradeciam o presente.
Afastada, no outro canto do salão, a moça observava e sorria. As covinhas das bochechas denunciavam seu contentamento.
Parou de sorrir ao ver o copo vazio foi arremessado ao chão. O copo sentiu o olhar desapontado da moça acompanhar sua queda e depois partir.
Achou que era culpa dele, fosse de vidro estaria sobre o balcão, a boca que bebia dele talvez pedisse por mais um pouco da bebida gelada. Talvez o levasse pra passear pelo salão de volta às mãos da moça... Ele gostaria disso, gostaria de estar completo novamente, com a camada de espuma suave e as bolhas que estouravam refrescantes em seu interior...
Agora estava lá no chão, no meio do salão, sendo chutado pelos pés dos dançarinos.
Teve tanta esperança ao ser escolhido dentro da pilha de copos. Puxado de dentro do saco, sacado como uma arma, colocado no balcão e servido por uma garrafa de vidro marrom cujo conteúdo gelado lhe dava tanto prazer. Imaginara grandes aventuras naquela noite em que saía pela primeira vez de sua embalagem, ainda não conhecia sua vulnerabilidade, sua condição descartável.
Deixou as mãos da moça acompanhado de um pedaço de papel e foi levado, em seu primeiro grande vôo cruzou a pista até àquele que sorveria o fluido de seu interior.
Já acompanhava o flerte desde o início da noite com o bar ainda vazio, sonhava sair logo do invólucro e participar da ação. Viu a troca de olhares, os acenos com a cabeça, o cochicho de um lado e de outro nas rodinhas de amigos. Torcia pelo desfecho feliz, pela sua participação especial na história. Nunca imaginou que seu tombo traria a desilusão da moça... Que infeliz a sorte do pobre copo.