May 25, 2007
Eu entendo teu ponto de vista, mas discordo dele. Já conversamos sobre isso antes... milhares de vezes... Sei que se prepara durante todo o mês e que sou eu que não colaboro no final, mas você tem que entender que não será agora, nem será tão logo.
Pense, hoje, pelo menos, não te engano mais como te enganava antes. A situação já foi muito pior pra você.
Particularmente, neste aspecto eu gostava mais daquela situação, mas não vou entrar no mérito agora. O que importa é que hoje meus deslizes são muito raros, e você tem essa trabalheira toda à toa, sem nenhuma ação minha que te leve a pensar que deveria fazê-lo. Então, porque me atormenta agora?
Já não basta esse frio que congela meus ossos, que resseca minha pele, que faz meu pulmão respirar com dificuldade ainda vem você piorar toda essa situação. Por favor querido, pare.
Entenda que não sou a única culpada aqui, a situação econômica do país também não colabora, a profissão que escolhi tem uma média de 5 anos de trabalho antes da estabilidade financeira, e ainda precisarei de muito tempo de treino antes de poder usufruir dos preparativos que faz pra mim. E precisarei de boa companhia pra isso, não só para o treino, mas principalmente pra quando decidir usá-lo de fato. E essa parte é bem difícil, não tem nada a ver com você, meu bem.
Então, aquiete-se, pare de me pressionar.
Pare com essas contrações malditas, que esqueci o atroveran em casa!!!
May 23, 2007
O copo plástico branco de 400ml vazio e pisoteado era a única testemunha do ocorrido...
Tinha sido pivô do desentendimento e jogado ali no chão sentia-se cheio de culpa. Não era culpa dele, pobrezinho.
Pouco tempo antes estava ele, todo feliz, cheio do líquido amarelo gelado com bolhinhas e uma camada de dois dedos de espuma que cobria tudo. A boca tocava sua borda e bebia com gosto seu conteúdo. Largos goles que matavam a sede e agradeciam o presente.
Afastada, no outro canto do salão, a moça observava e sorria. As covinhas das bochechas denunciavam seu contentamento.
Parou de sorrir ao ver o copo vazio foi arremessado ao chão. O copo sentiu o olhar desapontado da moça acompanhar sua queda e depois partir.
Achou que era culpa dele, fosse de vidro estaria sobre o balcão, a boca que bebia dele talvez pedisse por mais um pouco da bebida gelada. Talvez o levasse pra passear pelo salão de volta às mãos da moça... Ele gostaria disso, gostaria de estar completo novamente, com a camada de espuma suave e as bolhas que estouravam refrescantes em seu interior...
Agora estava lá no chão, no meio do salão, sendo chutado pelos pés dos dançarinos.
Teve tanta esperança ao ser escolhido dentro da pilha de copos. Puxado de dentro do saco, sacado como uma arma, colocado no balcão e servido por uma garrafa de vidro marrom cujo conteúdo gelado lhe dava tanto prazer. Imaginara grandes aventuras naquela noite em que saía pela primeira vez de sua embalagem, ainda não conhecia sua vulnerabilidade, sua condição descartável.
Deixou as mãos da moça acompanhado de um pedaço de papel e foi levado, em seu primeiro grande vôo cruzou a pista até àquele que sorveria o fluido de seu interior.
Já acompanhava o flerte desde o início da noite com o bar ainda vazio, sonhava sair logo do invólucro e participar da ação. Viu a troca de olhares, os acenos com a cabeça, o cochicho de um lado e de outro nas rodinhas de amigos. Torcia pelo desfecho feliz, pela sua participação especial na história. Nunca imaginou que seu tombo traria a desilusão da moça... Que infeliz a sorte do pobre copo.
May 22, 2007
Deu branco.
Deve ser essa gripe. Gripe dá amnésia também, ou só dor no corpo, nariz pingando e um pouquinho de febre?
Vou seguir conselhos dum amigo meu e ficar só chá de gengibre enrolada no cobertor, até a memória voltar ou a fantasia tomar o lugar dela.
Histórias escritas sob efeito da febre são ótimas, completamente surreais... vou ver se consigo lembrar de alguma delas quando acordar...
May 21, 2007
Olhares me intrigam.
Vez ou outra cruzo com uns que quebram minhas pernas, que retêm meus pensamentos por muito tempo. (lembrando que a moça ligada em 220 não fica com uma só coisa na cabeça por muito tempo nunca)
Gosto desse jeito de olhar "vou conquistar o mundo" (sem confundir com o olhar "sou dono do mundo" que provoca asco), desse brilho aventureiro, que não se importa com o tamanho do desafio. A sorte tá lançada, então tá, vamos, pra que parar, pra que medo?
E daí que os obstáculos são grandes? Passa-se por cima, ou por baixo, como der...
É difícil, mas tem um jeito, se ninguém descobriu ainda, descobriremos nós.
É um olhar que fala mais. Fala mais que o meu ou o teu, porque é ele que fala primeiro. Fala mais que o corpo, fala o que pensa no brilho não no som.
Está além, atravessa, deixa sem fôlego.
Devia ter conversado mais. Aproveitado mais desse brilho que tão raras vezes passa por mim, devia ter deixado o povo passando fome e ficado lá, aprendendo a conversar com os olhos e as mãos. Sugado essa energia de quem sonha e corre atrás dos sonhos.
O horizonte tá tão mais longe que o dedão do pé, no entanto parece tão mais curto o caminho pra chegar lá.
Pelo menos mais divertido.
Quantas histórias você já ouviu obre pessoas que conheceram alguém muito legal num ônibus de viagem?
Eu só ouvi duas e olha que meus amigos viajam bastante. Também viajo bastante e te garanto que minhas madrugadas na estrada teriam sido muito mais agradáveis se ao meu lado estivesse sentado moço bem do bonitinho, cheiroso e com um bom papo. Talvez até esquecesse do frio do ar condicionado, da fome, do banheiro da parada que não dava pra usar...
Mas não, nunca me deram esse prazer.
Tá subindo aquele cabra que acabou de tomar uma pinguinha pra relaxar na estrada? É dele a poltrona ao meu lado. Posso apostar que ele ronca, e que no meio da noite vai achar que meu ombro é travesseiro.
Custa prestar atenção na fila e evitar esse tipo de constrangimento, custa???
Se parassem por apenas dois segundos para observar os passageiros poderiam traçar perfis muito rapidamente e não diminuiriam a velocidade da fila fariam um bem aos clientes e ainda diminuiria a incidência de reclamações de viagem...
Eu, no lugar delas não resistiria à bisbilhotice de me meter na vida dos outros, ficaria imaginando os casais formados. Um dia ainda pararia uma dupla cobrando meu lugar como madrinha no altar do casamento.
May 18, 2007
Completa com álcool, por favor.
O que você acha do preço do álcool?(a mulher com um microfone gigantesco e uma câmera ligada apontada pra mim. A falta de maquiagem e o cabelo sem pentear nessas horas me deixam muito incomodada...
Acho um absurdo! Ontem paguei 6 conto numa dose de cachaça! Não tem cabimento uma coisa dessa!!!
May 14, 2007
Segunda feira mal começou e já tô cansada?
Cansada do final de semana, e da semana passada também... Tô achando que em duas semanas eu consigo descansar, se não cair doente antes, claro.
Tô reclamando de trabalho não, pode vir mais até! Mas pelo menos no final de semana eu queria poder dormir um tiquinho... ou, pelo menos, fazer as coisas que programo na minha cabeça.
Este final de semana tem muitos culpados pelo fracasso.
Todo primogênito sabe que as bombas familiares são suas, que é sua responsabilidade desde o nascimento apagar o fogo e curar os feridos. Eu não fujo à minha responsabilidade!!!
Acontece que, se são mais duas na história, bem que podiam dividir um pouquinho comigo ao invés de aumentar o peso, não?
Mamacita está enlouquecida na semana de um congresso que organiza há um ano.
Palestrante internacional chega, tem que providenciar almoço pra um monte de gente, ficar uma hora na fila do restaurante enquanto não chega a turma toda, organizar os pedidos, pedir cardápio em inglês e ainda ser capaz de falar inglês depois da caipirinha e da cerveja... A conta quilométrica gerou ataques de riso à noite depois que o susto passou.
A comissão vai ficar hospedada em nossa casa? Precisa de colchão, lençol, travesseiro, comida, faxina, chuveiro queimou? Chama a Lau que ela arruma tudo... E a Lau só se f***
Minha programação pra noite de sábado era: comer waffles que minha irmã ia fazer pros amigos e ir pro lançamento dum livro aqui pertinho de casa. (recebi do meu pai por e-mail o convite pro lançamento, o que gerou uma série de e-mail dignos de Alzheimer)*¹. Nada de muito exagerado, nem que precisasse de muita energia, certo?
E se minha energia não tivesse sido roubada num único comentário destruidor minha noite teria sido exatamente assim. Mas depois achei que ficar em casa chorando num sábado à noite era um programa bem razoável.
A grosseria veio gratuita e dum canto que não esperava de jeito nenhum. Não sei dizer se foi só grosseria, pra mim, na hora, foi mesquinharia... só sei que engoli o choro tempo suficiente pra deixar a sala e ir sentar no colo da minha mãe no escritório. E depois disso não queria fazer mais nada. Peguei minha camisola, minha pantufa, meu cobertor bem quentinho e sentei na frnte da Tv hipnotizada com os olhos bem vermelhos e inchados.
Pode parecer exagero meu quando o comentário for lido, mas têm que se considerar todas as variáveis descritas acima e mais uma: todas as minhas festas contam na lista de convidados com pelo menos meia dúzia de amigos de cada irmã, mesmo que eles não venham, mesmo que elas não convidem, eu já conto que elas provavelmente vão querer outras pessoas pra conversar... Qual foi o comentário que gerou tudo isso? "Da próxima vez que você for convidar alguém, me avise antes!"
O quê? Eu tenho que avisar antes que vou chamar 3 amigas (minhas melhores amigas, minhas sócias, praticamente irmãs siamesas) pra tomar uma cerveja e comer um pedaço de wafle na minha casa??? Preciso lembrar que minha irmã vem pra casa uma ou duas vezes por mês?
Fiquei puta, me senti excluída, me senti uma leprosa... uma dessas pessoa que só tem amigos chatos... meus amigos não são chatos, eles são muito legais, tá?!!!
Depois eu descobri uma coisa importante que me deixou menos triste: o problema são os amigos dela, não os meus. Os meus amigos são pontuais, os dela não. Então, minhas amigas chagariam às 8:30, como combinado, e os amigos dela chegariam 10:30, como chegaram, e ela ficaria com cara de tacho... Fez sentido? Na cabeça dela fez.
(mas ficar em casa sábado à noite não é um bom programa!)
Voltando pra sessão Alzheimer, meu pai mandou um e-mail com um convite, que tenho cá comigo que ele não leu. Respondi toda encafifada e achando um barato mais uma coincidência (já que o autor é daqui e eu lia os textos dele muito antes de saber disso): o convite era pro lançamento dum livro de uma cara que escreve uma coluna que eu tenho link aqui no blog, e claro que pensei que meu pai conhecesse fulano. Mas ele não conhecia e não entendeu nada do meu e-mail, até comparou minhas ligações de temas com minha vó... sacanagem... dois e-mails depois nos entendemos: ele conhecia o ilustrador, eu conhecia os textos do autor... mas o livro mesmo nenhum de nós viu.
May 10, 2007
Fui fazer minha lista e tive que fazer duas, uma de BG e outra de Campinas...
BG:
1. O Empório do Nono, ou como diz um amigo de minha mãe "o melhor barzinho do hemisfério Sul". Querido bar que abre às segundas-feiras pra um belo choro, cerveja gelada, atendimento carinhoso, e comidas que deixam salivando só de lembrar... 2. A Praça do Coco. O tiozinho que tinha uma Kombi cor de laranja de garapa e água de coco começou a cuidar da praça onde estava instalado, foi colocando mesinhas, cadeiras, fazendo canteiros em volta das árvores... depois ganhou alguma concessão de uso ali e pode instalar um quiosquinho que virou ponto de reunião duma ONG e uma feirinha de badulaques aos sábados. Melhor lugar pra tomar garapa no final da caminhada ou de ressaca aos sábados de manhã. 3. A Fazenda Rio das Pedras. Quando éramos pequenas, logo que mudamos pra cá, invadíamos a fazenda todo final de semana pra andar lá dentro e ver os cavalos. Era uma delícia. Lembro bem do bambuzal que até hoje faz parte dos cenários das histórias que invento na minha cabeça. As estradas de terra que rodeavam os cercados dos cavalos eram nossas pistas de corrida. Sem contar que o gosto de contravenção de invadir uma propriedade tão grande era bem gostoso. Pena que o capataz da fazenda, armado com uma espingarda, nos pediu gentilmente que não mais usássemos aquele espaço pras nossas caminhadas. Observação bucólica... digna de início de romances de José de Alencar (modeeeeeesta) 4. O Observatório a olho nu da Unicamp. Grande desafio na adolescência era chegar ao observatório de bicicleta sem descer dela e antes dos meninos (nunca consegui...) e depois descer sem apertar os freios com o vento batendo no rosto. A descida mais gostosa foi durante uma chuva torrencial, eu e mais dois amigos totalmente encharcados curtindo a chuva... Delícia de lugar lindo... 5. Minha casa, as festas de casa, o quintal de casa, as cachorras de casa, mamacita, minha parede com pintura nova e cheia de quadros, as jabuticabeiras que ficam assanhadas cheias de flores...
Campinas:
1. Estação Cultura, o nome é pedante, eu sei, mas o lugar é lindo e eu gosto dele desde antes do nome. É a antiga estação de trem da Companhia Paulista de Estradas de Ferro (a FEPASA) e lá dentro, em algum papel ou quadro de funcionários tem o nome do meu bisavô. Vovó adorava contar que ele tinha sido chefe da estação, ficava toda orgulhosa falando do pai, era um barato. Mas meu carinho pela estação não é só por causa da família, e porque ela é lindinha mesmo, é por uma lembrança dum evento que organizamos durante a faculdade no qual hospedamos 1200 estudantes no pátio da estação só pra falar de arquitetura e da cidade de Campinas por quatro dias. Carinho enorme por aquele ano de organização e pelos dias de reunião. 2. O Largo do Carmo cercado de bares. Eu gosto da configuração do negócio, não de um bar ou outro. Gosto da praça e das mesas e cadeiras e da gente e da cerveja que se espalham por ela... Gosto da diversidade lá, não musical, da diversidade de tipos... Na verdade o largo do Carmo (oficialmente tem nome de Praça Bento Quirino) é o do outro lado da rua , o da Igreja do Carmo, o que tem os bares não tem igreja (óbvio!!!) mas visualmente eles são a mesma coisa e que eu saiba ninguém diz "vamos tomar uma cerveja lá na Praça Antônio Pompeu?". A praça é lugar histórico da cidade, é onde foi celebrada a missa inaugural, é onde funcionaram o paço municipal, a cadeia e tudo o mais, e é também onde está enterrado o Maestro Carlos Gomes (aquele mesmo, compositor de O Guarani). Sim, eu tomo cerveja ao lado de um túmulo e não sou gótica nem tenho tendências pra esse tipo de comportamento. Pitoresco, mas divertimento garantido. Mas o que eu mais gosto é que esse negócio de tomar cerveja sentada no calçadão, que me lembra dos chopes no centro do Rio, das ruas fechadas pelas mesas e o monte de gente fazendo o happy hour por ali sem se importar com a chuva fina antes de voltar pra casa. (ops, era pra falar de Campinas, não do Rio, né?) 3. A Praça Carlos Gomes. Essa não tem bar. Tem coreto. E não tem o túmulo do Carlos Gomes, que está na Praça Antônio Pompeu, mas tem um busto de Tomás Alves e outro de Rui Barbosa. Tem também um coreto e uma fonte num laguinho. Gosto dela pelo paisagismo, acho uma praça bonita, e só. Ela fica na Irmã Serafina, avenida que depois vira Anchieta e tem palmeiras imperiais dividindo as pistas. Acho engraçado o som ambiente. É isso mesmo, a praça tem som ambiente e a maioria das pessoas que passa por ela nem repara porque ela fica no meio de uma muvuca danada de carros e ônibus. Eu só percebi o som quando comecei a usar a praça de modelo pros meus estudos de desenho de observação. Ficava horas lá sentada desenhando os titãs que carregam o coreto nos ombros, as árvores, as pessoas que passavam... só parei de usar a praça quando fulano sentou ao meu lado e ofereceu uns trocados por um "pograma". 4. Giovanetti5. Pronto, beberrona oficial agora, mais um bar na lista... e dos caros(pro meu poder aquisitivo atual, ok?!)... mas é que... é que é um bar onde comemoro meus aniversários (sem sustos pra quem nunca comemorou aniversário meu lá comigo, é uma tradição minha e duma amiga), era o lugar de fuga das amigas pra falar bobagem logo que pudemos tomar chope legalmente. E é lá que os garçons me parabenizam por fazer dezoito anos todo ano. Mas a rede Giovanetti é tradicional da cidade também, todo turista tem que ir a um deles, preferencialmente nos do centro da cidade, porque esse negócio de ficar bebendo em shopping não tá com nada. Nem eles devem gostar disso, das quatro casas, 3 estão no centro e uma no shopping, das três eles colocam foto linda da fachada do prédio, a única só com foto interna é a do shopping... eca! Ah, e ainda tem o Beethoven, são bernardo símbolo da marca, fofíssimo que fica passeando pela loja em alguns momentos... 5. O Centro de Convivência Cultural com sua feirinha de cacarecos (desculpem-me, não vou chamar de artesanato!), com o palco do anfiteatro que seria maravilhoso para shows se não fosse no meio de área residencial, os tipos esquisitésimos que frequentam a feira e os bares em volta, a molecada adolescente que anda de preto e só compra colar de semente e brinco da feira pra colocar nos vinte furos que têm na orelha (eles vão descobrir que isso passa e que é por essa certeza que os pais nem ligam mais pro visual montado para incomodar). De todas as barracas, a que mais gosto, mesmo, sem sarcasmo agora, é a do cara natureba, putz, como eu gosto da comida dele... e o suco de maçã? o melhor suco de maçã! A torta de arroz integral com espinafre... ai, agora deu fome... vou dar uma passadinha lá amanhã só pra matar a vontade. Pior é que ele não vende uma bandeja inteira pra trazer pra casa, tem que comprar picadinho...
(Meu lado natureba existe e tem dias que ele aparece doido por uma soja!)
Agora um lugar que odeio, só pra destilar o veneno.
O tal do Shopping Parque Dom Pedro. Nome pomposo, arquitetura de revirar o estômago, mau gosto do mau gosto do mau gosto. Entupido de gente apesar do título de maior da região (acho que já perdeu o título de maior da américa latina e do estado do qual se gabava tanto). O que mais me incomoda nele agora que os problemas de enchentes em Barão que ele causou foram solucionados? Os bares e boates dentro dos muros. Muros me incomodam muuuuito, condomínios, cancelas e guaritas infernizam minha vida, mas acho o ó ir pro shopping pra dançar em uma das cinco boates porque é mais seguro. Afh. Shopping, do inglês, "comprando". Ou seja, não é lugar de confraternizar, de flertar, é lugar de comprar. Bar em shopping é demais pra minha paciência. Depois falo mal dos condomínios... depois.
May 9, 2007
Coisa número um: o post sobre Campinas tá nos rascunhos, ainda não saiu por falta de tempo só com ele. A lista aumentou e precisou de nova divisão pra fazer algum sentido na cabeça de outra pessoa que não fosse eu mesma. Ainda não desisti dele.
Coisa número dois: minha querida Virada Cultural. Triste pra caramba ver a principal notícia sobre a Virada ser aquela pancadaria na Sé. Claro, triste o fato. Triste as lojas saqueadas e destruídas, triste os orelhoes, as caixas de correio, os vasos de concreto, as bancas de jornal que estavam no meio do caminho dos vândalos (seja lá quem forem...). Mas não pode ser essa a única notícia sobre a Virada. (Só pra constar: fiquei triste, mas muito triste mesmo que não teve Karnak. Muito triste demais da conta)
O negócio, na minha cabeça, é que a Virada ainda é o melhor evento da cidade. ponto.
Finjo que não estou velha e finjo que gosto de muvuca.
Suporto a superlotação, a sujeira nas ruas, os banheiros químicos ou sujos nos bares abertos, o cachorro quente com duas salsichas por um real, o melzinho de metro (sabeDeusporondepassou), e morro de prazer em ver tanta gente curtindo os shows mil acontecendo por toda a cidade.
Minha programação (antes de chegar lá e morer de canseira) era variadíssima e um tanto psicótica talvez. Passava de pop pra rock pra samba pra punk pra pop, voltava pra sampa, ia pra maracatu, um jazz pra descansar, voltava pro pop e ia ao teatro.
Coisa numero três: eu tô assim mesmo, sem fazer sentido, sem dormir, sem parar, comendo pra compensar, com um frio danado porque as roupas de inverno ainda cheiram a guardado e não tive tempo de lavar nada...
Coisa número quatro: voltamos pra idade média? (depois vem um post sobre querido Bentinho...)
...
Apr 28, 2007
continuação da declaração de amor iniciada no post anterior e inspirada por visitas a blogs alheios.
a ordem dos pontos não representa preferência, é só um número antes de palavras.
1. A Casa da Bóia na Florêncio de Abreu
Bóia não é comida, é bóia mesmo, aquele mecanismo que não deixa a caixa d'água ficar enchendo depois de cheia. Mas é um comércio de materiais hidráulicos, elétricos, utilidades domésticas e metais não ferrosos.
A Casa da Bóia tem umas das fachadas mais lindas de São Paulo, construída no início do século passado, completa cem anos em 2009. Um sobradinho art nouveau tombado em 93 e restaurado duas vezes.
Quando bate o sol nela pela manhã fica toda iluminada e você até esquece que tá no meio daquela zona de vendedores ambulantes de traquitanas que você não sabe como podia viver sem até hoje. Tá, lá vai a esquisitona... Mas é que a Florêncio é uma das minhas ruas preferidas, e eu fico enlouquecida nela. Lembrando que é comum me encontrar na rua carregando uma caixa de furadeira num braço e um vaso de orquídeas no outro, e que uma rua que só venda ferramentas me deixa maluquinha saracoteando e construindo coisas na minha cabeça.
2. Rua São Caetano
Rua São Caetano é a rua das noivas. Moças casadoiras de todo o Brasil vão até lá pra procurar seus vestidos, mesmo que o noivo ainda não exista. É também a rua das coisas de costura, venda de máquinas, manequins, araras e tudo mais, mas é por causa dos vestidos de noiva que eu gosto de lá.
Imagine uma rua aonde todo mundo que vai tá feliz e fazendo planos para o futuro! Pois é, é lá!
É lá que todo ano eu e minha irmã fazemos nosso esquete de teatro amador, nosso maior exercício de improvisação e cara de pau.
A primeira vez foi por que a vendedora deu o tema de bandeja e nós duas não pudemos resistir a alimentar o engano dela.
Estava sem dinheiro pra comprar um presente bacana pra Mila e ela tava fazendo um projeto pr'um desfile de noivas na faculdade, muito criativa que eu sou (olha o exercício da cara de pau mais uma vez), dei pra ela a pesquisa de campo. Fomos olhando, olhando, olhando e só tinha vestido muito brilhante, com cara de merengue, ou daqueles quase de princesa cigana, doído de brega... No fundo da vitrine de uma loja avistei um vestido bem simples, de renda, justo ao corpo com cauda de sereia, decote enorme no busto e alças, alças são muito importantes. Entrei direto pra ver, a Mila veio junto. A vendedora chega "Quando é o casamento?" "Setembro!"
Simples assim.
3. a Pinacoteca do Estado
Adoro a Pinacoteca (além de estar pertinho da São Caetano...)!!! O projeto de restauro-reforma de Paulo Mendes da Rocha é lindo, o edifício de Ramos de Azevedo já era lindo antes disso, mas dá um prazer tão grande entrar lá, só ficar passeando já tá bom... O acervo é lindo, adoro ver o acervo dos museus. As exposições temporárias são bem legais, sempre tem um grande artista plástico desconhecido (pra mim) novo pra conhecer e terminar o passeio e dar de cara com música boa no auditório me traz uma paz... depois tem a paradinha no café e o passeio pelos Jardins da Luz pra ver as esculturas escondidas no meio das árvores e o a gruta sob o lago.
4. Plataforma da Estação Sumaré de Metrô
Fico ali esperando o trem lendo os trabalhos do Alex Flemming, vendo o trânsito na Avenida Sumaré, as pessoas correndo no canteiro central, até uns anos atrás ficavam os rapeleiros pendurados nas suas cordas subindo e descendo... Lá é gostoso de ficar à noite, durante o dia, com trânsito cheio e faróis acesos lá embaixo, vendo a chuva, vendo o sol se por... aquele vidro enorme cheio de poesia e fotografia...
5. as Bancas de Flores da Doutor Arnaldo
Sempre que posso volto andando da Paulista pra Vila Madalena só pra passar pelas bandas do cemitério. Aquele paredão de flores, metros e metros de bancas de flores, 23 bancas com flores de todos o tipos, tanta flor que não fica nem um pedacinho de prateleira à vista.
Sempre ganho flores ali...
Tão bom ganhar flores...
Apr 27, 2007
Dessa vez não vou queimar meu próprio filme como de costume, juro. Não é uma declaração de amor romântico, é uma declaração de amor racional e cultivado ao longo de 26 anos e meio, que já superou diversas crises e agora, maduro, encontra a tranquilidade.
Fiquei com vontade de fazer minha declaração por escrito depois de ler outros blogs [desse que estão listados ao lado(1) (1') (2) (3)] falando tanto sobre isso, e depois porque no final de semana que vem é a Virada Cultural.
Começo por aí, porque acho que participar da Virada Cultural é a maior declaração de amor que um paulistano pode dar a São Paulo. Ficar acordado o final de semana todo, organizar seu tempo pra não perder nenhum dos eventos que te fazem feliz (tem evento pra todo gosto de feliciadde) e vibrar podendo pegar o metrô às 3 da manhã, atravessar a cidade pra ver um show depois de uma récita de poesia, é um tesão que não tem preço.
Amo São Paulo com toda a força do meu coração.
Ô cidade que me deixa excitada!
Fui com minha irmã na primeira edição da Virada, assistimos à shows no Anhangabaú, depois fomos à Casa das Rosas ver uma leitura de um texto do Poe, um pouco de cinema, café pra aguentar mais um pouco (já que irmãzinha não bebe e cerveja é uma bebida para ser compartilhada...), caminhada até o Mercado Mundo Mix e uma chuva torrencial sobre nossas cabeças, as duas molhadas como pintos e o rabo entre as pernas, desistimos do show da Elza Soares e voltamos pra casa.
A edição passada me sacaneou, foi no aniversário da minha sócia, e claro que a sociedade ganha a briga com o evento, mas não significa que ame menos minha querida cidade... (confuso? mas ela não é Baronense de carteirinha? Exatamente, de carteirinha, Paulistana de coração e nascimento).
Agora estou estudando a programação da Virada todinha pra não perder nadinha de nada!
Também estou montando minha caixinha de jóias pra exposição aqui, os cantinhos lindos de Sampa que me deixam feliz da vida de passar por perto... mas são cantinhos, não são grandes marcos, são só lugares que ficam lindos com o sol de inverno.
Ai como eu gosto dessa cidade!!!
p.s.: não ficou parecendo muito racional, né? Ops, talvez não seja... talvez só seja cultivado por muito tempo mesmo...
ai, eu sei que feio, que é falta de educação... meus pais me deram uma boa educação, mas tem coisas que são mais fortes do que os ensinamentos deles.
Se bem que, os dois têm sua cota de observações venenosas...
Agora fico observando as pessoas nos ônibus. Uso duas linhas, com frequentadores bem diferentes. Uma sai de Barão, distrito universitário, e vai para o centro, já o 97 sai do centro e vai pra Sousas, distrito também, cheio de condomínios de alto padrão. Dois caras chamaram minha atenção e por isso as observações de costumes alheios são sobre eles.
Um deles, moreno, alto, não muito alto, fortinho, mas nada exagerado, cabelo escuro despenteadinho de propósito (isso é bem importante, não é desleixo, leva tempo fazer o cabelo assim logo cedo), usa roupas claras, tênis xadrez, calças meio curtas, camisa curta também, ajustada. Um cara desses cult, alternativo "ma non troppo", que estaria muito bem na fila do espaço Unibanco. Está sempre lendo, e espera pelo próximo ônibus se não tiver lugar pra sentar no primeiro que sair (adotei esse comportamento também, o trajeto é longo e ler sentada é mais fácil).
Reparei nele por causa da tatuagem. De costas só vejo um pedaço dela, um bracelete, acho, duas faixas bem pretas, de mais ou menos 1 polegada cada uma, não sei o que tem na frente, nem se tem alguma coisa mais pra dentro da manga... no outro braço ele tem outra tatuagem, mais óbvia e brochante, escrita em letra gótica "amor divino"... Me conta porque maluco tatua " amor divino" no braço? Tá lá, frase solta, pequenininha no braço enorme, totalmente deproporcional e despropositada...
O outro cara tem o mesmo perfil só que na versão magricela nerd. É mais novinho. Esse desce no mesmo ponto que eu. Ele também está sempre lendo e combinaria com a tal da tauagem do amor divino. O moço não pausa a leitura do novo testamento edição de bolso nem pra descer do ônibus. Impressionate a fé!
(pausa para limpar o veneno do canto da boca senão queima a pele)
Vou continuando com minha colação de tipos.
Qualquer dia falo das roupas. Pelamordedeus, quem disse pra essas adolescentes que podiam sair de casa com aqueles figurinos... Afffh
Apr 21, 2007
Vou contar um causo que é pra deixar esse pessoal que vive entra muros e não conhece os vizinho morrendo de inveja.
No dia da mudança do escritório o caminhão chegou aqui 8:00 da manhã como combinado, carregaram rapidinho e partiram pro novo endereço.
Enquanto isso mamãe pegou o carro e partiu pra Sampa, eu coloquei as últimas coisas da mudança no carro e da Vó e parti também. A casa ficou com cara de abandonada.
Uma meia hora mais tarde o piscineiro vaio terminar o trabalho dele que tinha ficado pela metade no dia anterior. Um entrou pra aspirar a piscina e o outro ficou tirando um cochilo no carro.
A vizinha viu a cena, lembrou do caminhão (não tinha me visto com o caminhão porque eu separava as coisas dentro do escritório), ficou preocupada.
Ligou pra polícia.
Toca a campainha e a Vó atende.
Bom dia, a senhora tem piscina em casa?
Sim, tenho, por quê?
E o piscineiro está limpando hoje?
Não, ele vem de sexta feira. Mas espere, vou ver.
O coitado do ajudante que dormia tranqüilo no carro tremendo feito vara de marmelo, só faltava ser preso por dormir na sombra...
A vó sai de casa e vai até a porta. Três viaturas da polícia, 6 policiais armados, com as mãos prontas pra sacar esperando lá na frente.
A senhora está bem? É mesmo o piscineiro que está aí? Vocês não estão sendo assaltados? Está certa de que não é ladrão na casa levando todos os móveis e computadores? Se for ladrão acene com a cabeça!
Apr 18, 2007
Acabando não, exagero da minha parte, mas tô mais doidinha do que nunca.
Tô que nem a Dorothy no meio do tornado.
Mudanças radicais nos meus dias, na minha vida...
Continuo vislumbrando a tal da liberdade, da independência, e não tô com muito medo não, só um tiquinho.
Parece o básico do básico nego levantar todo dia, de segunda à sexta, se arrumar, trancar a casa e sair pro trabalho, não parece? Transporte coletivo então? Quanto por cento da população urbana brasileira usa?
Pra mim não é básico! Pelo menos até segunda feira não era assim, agora é!
Acostumar o corpo a acordar mais de uma hora mais cedo, comer rápido e sair correndo pra pegar um busão, pra fazer uma baldeação e só então chegar no escritório tá duuuuro.
Não, não sou uma novata no transporte público coletivo, não sou uma dessas pessoas que está tendo contato essa realidade só depois de velha. Fui pra escola por muito tempo de ônibus, já trabalhei bem longe de casa e tinha que sair bem cedo pra não perder o 3.70, mas faz anos que isso não acontece.
Durante a faculdade tinha carona, e quando o horário não coincidia com o de mamacita (que trabalhava do ladinho do meu Campus) eu conseguia voltar a pé (7km na descida é fácil, mais fácil que esperar 3.62 a cada 55minutos). No último ano eu só tinha um dia de aula, todos os outros dias ficava em casa trabalhando na minha monografia.
Acordava razoavelmente cedo, arrumava o quarto/escritório/sala de estudo e começava minhas escrivinhações, parava pra fazer almoço pra família (era um jeito de fazer o vô comer, ele não conseguia negar se eu tivesse feito), retomava o trabalho e só parava pra jantar.
Depois de formada montei (com minhas queridas amigas) um escritório, que por 2 anos e um tantinho teve sede num galpão aqui no quintal de casa. Ou seja, eu não precisava de transporte pro trampo nem de acordar muito cedo. E qualquer emergência era só sequestrar o carro da família.
Acabou minha mamata!
15 minutos de caminhada até o terminal (tá, dá pra pegar o Real Parque aqui na esquina, mas e se eu não conseguir fazer meu exercício no final do dia? melhor ir andando...), 25 minutos num ônibus, desce, sobe noutro, mais 7 minutos com o "baladão sertanejo" (ônibus com música ambiente no interior de São Paulo é o ó) e pronto, tô na nova sede. Na volta inverte tudo, só que tem o agravante do cansaço e da superlotação.
Não, não tô reclamando não. Tô feliz da vida.
Sabe aquela sensação deliciosa de tomar as rédeas da própria vida? É isso!
Tô lá longe por escolha, por investimento. Arriscamos, arriscamos alto, mas isso é importante pro crescimento da empresa, é importante pro crescimento das sócias, pra nossa auto estima...
Por sinal, se eu já era insuportável antes, agora, cheia de mim, super confiante do meu taco (apesar dos tropeços) tô um nojo. Metida que só!
Cuidado!
E o ponto novo tá com cara de apê de Copacabana da novela das oito...
Próximos passos? Meu transporte individual sobre duas rodas e sua devida habilitação, depois o meu canto, meu, sem família, com as minhas contas pra pagar, com minhas coisas, minhas cores e meus cheiros, com meus transtornos obsessivos compulsivos...
São planos que resolvi fazer agora, só porque acho que estão mais próximos da realidade do que achei que estivessem...
Apr 15, 2007
acabei de ouvir o Orlando Bloom falando isso no maravilhoso Elizabethtown. Adoro (o Orlando e o filme).
Não lembro como foram as críticas quando o filme foi lançado, só lembro do meu choro compulsivo no cinema e depois dirigindo voltando pra casa. Hoje chorei de novo.
Começo com o choro no final do filme mesmo, quando ele para num bosque e dança sozinho entre as árvores. Faço isso às vezes... não entre árvores, entre pessoas mesmo, em pistas de dança e tal...
Mas não, este não é mais um post sobre danças e comportamentos estranhos...
Bem, talvez sobre comportamentos estranhos. Sobre riscos corridos.
Puta merda como minha mira é ruim!!!
Impressionante minha atração por encrenca, por histórias que não serão. Afh!
Sabe aquela história de quem não arrisca não petisca...
Muito esfomeada que sou, arrisco muito. E só passo fome.
Aí que está o problema.
Moço lindo na balada, lindo mesmo (é, se bem que só eu achei lindo, mas amigas com gosto diferente pra homens são ótimas). O único que realmente me chamava atenção... Fui várias vezes lá só pra ve-lo. (um pouco de licença poética, ok?!)
Dia desses, depois de um tanto de cerveja, de um copo de mojitos e de amigos me atazanando pra tomar coragem fui até ele.
"me liga durante a semana!" entregando um cartão com meu telefone.
assustado, muito educado sorriu envaidecido (pelo menos é o que minha memória diz)... até achei que poderia realmente receber o tal telefonema... ai ai ai... ledo engano...
Neste final de semana descobri uma coisa muito impotante: se ele usar meu cartão será procurando uma arquiteta pra construir a casa dele e da esposa...
Tem como errar mais???
Alguém é bom com a cavadeira pra abrir um buraco bem grande pra eu enfiar esse meu cabeção? Vai dar fora desse tamanho lá longe!!!
Errado, muito errado isso!
Bem que podia ter um com aquele número solteiro-disponível por aí, né?
Afff
Bem, mais um mantra na vida... "those who risk, gain"
se fode aí...
Apr 11, 2007
As caixas vazias aqui ao lado estão trazendo à realidade a mudança do final de semana.
Até agora ela tava mais perto do mundo da fantasia e da vontade, mesmo que falemos dela a cada 15 minutos, não parecia tão palpável.
As caixas estão esperando pelos livros e revistas da estante que vão conosco, mas a estante fica, a que vai é a outra que acabei de herdar.
Hoje a divisória está sendo instalada.
O contrato será assinado.
A lista de coisas a fazer à tarde inclui marcar o caminhão de mudança, fechar a conta da banda larga e do provedor de internet que também não irão conosco pra casa nova, descobrir como transferir o número do telefone pro outro lado da cidade...
O e-mail avisando a todos só vamos mandar depois de devidamente instaladas, pra podermos oferecer um café de verdade.
Sábado "os homens" vêm aqui pra levar tudo embora e o ateliê vai ficar vazio pela primeira vez desde que foi construído...
Bem, vazio naquelas, ainda vai sobrar um monte de coisa nele, mas o espaço ocupado hoje é tão grande que não sei como ocupá-lo com as coisas que ficam.
É uma ansiedade que não me deixa dormir...
E ainda temos que terminar tanta coisa antes da mudança...
ai socorro!!!
ai que delícia!!!
ai que medo!!!
ai socorro!!!
Apr 5, 2007
5 de Abril é um dia negro na minha família.Segundo nossos cálculos avançados, a probabilidade de coisas horríveis acontecerem aumenta em pelo menos 300% no dia 5 de abril.

Foi horrível! Ela morreu sem aviso prévio. Nunca deu nenhuma indicação de que ia morrer, não tava doente nem nada, simplesmente deitou e morreu em algum momento entre o café da manhã e o resgate da tia.
pra Life um carinho atrás da orelha...
Apr 1, 2007
Um lugar que sempre tem fila e um monte de gente esperando correndo o risco de não ser atendido se não seguir alguma das regas impostas pelo dono do lugar.
Parece que o tal do Ali "Al" Yaganeh, "O" Nazi, não gostou nem um pouco da publicidade e do jeito que Jerry Seinfeld pintou a condução de seu negócio. Mas é fato que o cafofo agora é ponto turístico de NY.
Barão Geraldo, BG para os íntimos, grande distrito cosmopolita do interior de São Paulo, também tem seus comerciantes não deixam nada a dever pro Soup Nazi... no n°1164 da Av Albino J.B. de Oliveira (AKA Estrada da Rhodia) funciona a Casa de Frangos, um lugarzinho apertadíssimo, com uma fila gigantesca e um atendimento de enlouquecer qualquer mortal.
A fumaça da churrasqueira onde os frangos ficam rodando espetados naqueles ferros enormes domina o espaço, cria uma névoa espessa que não deixa que nossa isão focalize o chão ou o outro lado do balcão de atendimento. Ainda bem! Isso nos pemite apreciar todo o sabor do frango sem nos prendermos a detalhes de higiene que vigilância sanitária normalmente cobra...
Impossível resistir ao cheiro que empesteia o centrinho da cidade.
Mar 28, 2007
Essas borboletas que não param de saracotear!!!
Esse vislumbre de maturidade, de responsabilidade, de liberdade, de ser gente grande, cuidar de mim mesma...
Esses planos frescos... que delícia!!!
Essa luz no fim de túnel tem cores tão lindas, tá lá me chamando e fico cada dia mais ansiosa pra chegar.
E esse caminho de túnel escuro, cheio de surpresas me desafiando.
A jornada que se inicia vai ser bem gostosa. Bem gostosa.
A tal da janela que se abre é isso?
Adoro janelas abertas!
Mar 27, 2007
Muitos aniversários, muitas coisas acontecendo, e eu cansadona no final do dia pra escrever aqui... E aí bate uma culpa danada. Acho chato pra caramba ter criado blog e não escrever sempre. Pô, aniversário da Lê foi semana passada e nem escrevei nada depois. Agora tô escrevendo depois do dia que deveria ter escrito.É que fiquei fazendo o presente da Mila. Tão pequenininho, mas deu uma trabalheira doida. Pior que cheguei lá e ainda não tinha terminado, não tinha como pendurar, e ele era pra pendurar...
pelo menos enquanto ela não pinta na pele.
Ops, a Lu vai querer me matar agora...
Fiz pra Mila um desenho, um desenho pra ela tatuar um dia no corpo... nas costas, bem abaixo do pescoço descendo pela coluna vertebral, naquele pontinho que quando soprado dá um arrepio na espinha e treme o corpo todo...
Fiquei um tempão pensando o que deveria ficar grudado nela pra sempre assim, que cores, que formas, que significado que deveria ter...
Achei que o sopro, o vento, o desejo e o riso esperançoso dos olhos fechado desejando combinam bem com minha irmã fada. As sementes esparramadas pela esperança de que dê certo, que ela espalha naturalmente enquanto anda, desenhadas em suas costas talvez soassem redundantes, talvez só fizessem os pedidos feitos ainda mais fortes...
Pequena que deixa rastro de pó de pirlimpimpim e purpurina por onde passa, que teus desejos sinceros se realizem, que ame intensamente, que se divirta muito, que só receba abraços cheios de carinho, que tenha sucesso nos teus projetos, não aquele sucesso que os outros acham que é, aquele que você entende que é. Que arco-íris duplo ilumine teus passeios, e que a lua crescente com seu sorriso de gato da Alice te faça gargalhar sempre que olhar pra ela.
E quando você tomar coragem de pintar tua pele pra sempre me chame, que eu vou lá com você pra dizer que não tá doendo.

Essa história de ter irmã fada é dura. Muita competição na página de mensagem dela, na secretária eletrônica, no celular... todo mundo quer um pedacinho dos poderes mágicos da baixinha... Não abusem, ela não veio aqui pra salvar o mundo, só pra deixá-lo mais colorido e mais feliz.
ilustração de Sara Mello, uma ilustradora que eu trombei um num blog que eu trombei num outro blog e por aí vai... Achei absolutamente maravilhosos os trabalhos dela e não pude resistir... desculpe-me pelo furto...
Mar 18, 2007
Depois de muito enrolar conseguimos finalmente não ter desculpa nenhuma pra fugir do forró de domingo.
Um calor infernal, como deve ser uma noite de forró, pra aquecer e embalar o bate coxa.
Um tempinho de aquecimento na cerveja, mais umas danças pra aquecer os músculos das pernas e relembrar o corpo de todas as dicas fantásticas recebidas no verão passado.
Tenho um problema seríssimo pra dançar e pouquíssimas pessoas são capazes de compreender.
Claro que boa parte da culpa é da minha inaptidão mesmo, de não conseguir fazer minhas pernas e meu quadril se juntarem nesse movimento de contagem tão fácil "dois pra lá e dois pra cá". Ridículo isso quando lembro que já estudei flauta doce, piano e canto, e que deveria pelo menos entender de rítmos e conseguir ouvir o tal do triângulo que marca o tempo.
Mas não consigo.
Aí a situação piora consideravelmente quando lembro que danças de par são sempre machistas. É isso mesmo! Quem decide o que vai acontecer no próximo movimento é o cara.
Foda!
Difícil demais pra uma menina que leva a sério sua independência, que não gosta nem um pouco de ser comandada, muito menos por um bofe, e em hipótese alguma por um bofe desconhecido. Aí, além de pensar que tenho que ser conduzida pelo tal bofe ainda tenho que ouvir "relaxa, eu te guio"!
Ora, quem é tu pra me guiar? Péssimo isso. Travo na hora e pode esquecer o resto da dança, melhor achar outra parceira.
Que que aconteceu no verão passado: um amigo meu sacou esse negócio "feminista" e como ele sabe dançar muito bem me deu altas dicas pra não cair mais nas armadilhas duma noite de baile.
Me deu uma aula de física e não uma aula de dança.
Aí eu entendi tudo!
De física eu entendo, ação e reação, inércia, energia cinética, os tais dos dois corpos que não ocupam o mesmo lugar ao mesmo tempo (isso evita pisões nos pés alheios). Aí foi ficando até possível dançar.
Mas ainda não é com qualquer um, continuo meio dura. Minha mãe esqueceu o requebrado o quadril na mistura genética. Já pensei em processá-la por isso se não conseguir reverter o efeito com as influências do meio ambiente.
Mas voltando pro forró.
O forró do domingo é engraçado, tem aula antes e só fica uma molecada que acabou de conseguir o RG que permite a entrada em estabelecimentos desse tipo e o consumo de bebidas acoólicas. Um ou outro dançam razoavelmente bem e são mais confiantes pra levar a dança.
O calor naquele dia estava insuportável e nem cerveja gelada, nem água, nem refrigereante e nem a pia do banheiro eram capazes de amenizar a situação. Nem a chuva torrencial que caiu por mais de uma hora melhorou. Depois de três ou quatro horas rodopiando no salão voltamos pra casa encharcadas, cabelos molhados da raíz até as pontas, saia grudando nas pernas, a blusa já tinha até outra cor. Dava pra torcer os panos que pingava suor. Eca!!! Delícia!!!
Já o forró da sexta foi mais legal, tinha mais gente, gente mais velha um pouquinho. Nada de conversa fiada, nada de intimidade, pra quer saber nome do parceiro se estamos aqui só pra dançar?
Foi ótimo, uma noite de dança e silêncio, sem pensar em nada. Larguei o corpo e fiquei meditando.
Isso mesmo, meditando, com a cabeça em lilás. Só.
As pernas sendo jogadas pra lá e pra cá, rodopio, troca de parceiro, termina a música e nem dá tempo de chegar na beirada da pista já tem outro chamando... peraí que o sapato tá atrapalhando. Chuto a sandália pro canto. Pronto.
Até que um moreno gigantesco me tira pra dançar, não fala nada, mas me faz de gato e sapato. Parecia nega maluca, sabe aquelas bonecas que ficam com o pé preso no dançarino? Essas.
Chuta prum lado, chuta pro outro, joga pra frente, joga pra trás, não dá nem tempo de tentar travar o corpo, já tá tudo dominado... com a mão na coluna faz o quadril mexer, um apertão desliga todo o corpo que cai pra trás como aquelas girafinhas de elástico do zoológico...
E o corpo todo molhado...
Isso não é forró não, eu conhecia esse tipo de coisa com outro nome...
Só sei que terminei a dança querendo um cigarro.
Mar 17, 2007
Paixonite aguda dá nisso.
Horas e horas no repeat, cantarolando por todos os cantos, toda vez que uma palavra de uma conversa alheia chama a atenção, faz a sinapse e o impulso elétrico estimula aquela parte do cérebro que faz cantar. Coisa de gente maluca que fala sozinha e anda pela rua cantando...
não reparem ou juntem-se ao coro.
Começa a garoa e lá vou eu ..."ana vê a chuva na janeeeeela. a chuva molha aqui e lá. aqui, a chuva molha o telhaaado, molha o gato no telhaaado. lá, a chuva molha o maaaar"... toda saltitante e esquecendo que a chuva também molha meus cabelos e minhas roupas.
De coração partido apaguei meu perfil e só escrevi a letra de Suportar pra tentar explicar o que acontecia. Se soubesse como fazer, teria deixado só a melodia de coração sangrando tentando cicatrizar. É que acho genial a música. Nada deu certo, a relação acabou mesmo e só resta tentar ser feliz. É maravilhosa! E com aquele toque de canção de ninar embala o choro abafado pelo travesseiro... acho que ouvi umas dez vezes seguidas enquanto escrevia um post aí embaixo...
Prá Matar a Fome é a mais doce do disco novo, é a que espero ouvir cantada no pé dou ouvido um dia... é o amor tranquilo, cotidiano, é o comprometimento, a intimidade, de cumplicidade, o pedido de casamento mais bonito que pode ser feito... tem som de gente apaixonada, não de paixões avassaladoras e que nos deixam em cacos depois, paixão que se transforma em amor, que é escolha pela companhia do outro... é linda!
...
"pra você, deixo a mesa posta
laranjada, tofu, croissant
e um bilhete dizendo que amo
que quero casar assim que voltar do trabalho à noite
trazendo buquê e um bocado de nomes
pra dar pro bebê"
...
Desde o lançamento do CD em janeiro o Lasciva Lula vai ganhando cada vez mais espaço nos blogs, colunas, jornais e revistas especializados ou não.
Muitos são fãs, amigos ou paraquedistas que assistiram a algum show e caíram de paixão e escrevem agora em seus blogs (assim como eu), mas tem gente bem legal e conhecida falando bem deles. Não consegui reunir todos os comentários (links abaixo), mas no site da banda tem mais uns links.
Ontem fiquei especialmente feliz ao ver no jornal que eu assino uma crítica super elogiosa sobre "Sublime Mundo Crânio". Quatro estrelas e tudo.

Torço muito por esses caras.
Não só porque carreguei o pedal duplo do Marcello de Campinas até BH de ônibus (o roteiro estranho considerando que a banda é do Rio? pois é, coisas de movimento estudantil, os encontros não são nas cidades natal, são pelo mundo, e as encomendas viajavam por esses percursos), mas porque acho mais gente deveria ter o prazes de poder ouvir Lasciva Lula tocando, que seriam mais felizes com as músicas deles enfeitando a trilha sonora des suas vidas.
Revoluttion G1 Pilula Pop MatrizOnLine JornalMusical ZemaRibeiro-blog TocaTudo
Mar 14, 2007
Feliz aniversário querido amigo!!!Mar 13, 2007
Já falei da resolução da minha eterna briga com a balança, o desfecho para o qual se encaminha essa história, e, quando chegar a hora teremos uma sessão de "antes e depois" ou "bem antes e agora".
O que não falei foi do desfecho das outras histórias contadas.
Não falei porque não tava com vontade de falar, porque tava com vontade de calar e só. Se fosse coisa boa teria contado rapidinho, sairia gritando por aí, escreveria texto enorme em "out door", mas não foi o caso.
O que se sucedeu foi mais um enorme pé na bunda, uma dor de cotovelo digna de cantores do rádio da década de 50 que meu pai insiste em ouvir. Melhor então ficar quieta, não alardear esse tipo de coisa...
E eu consigo? Consigo nada.
Agora que já dá pra respirar também dá pra escrever, e até fazer piada com essa vida amorosa patética.
Tô pensando se é um drama ou uma comédia romântica (claro que torço pela segunda opção). Talvez até faça uma lista como em "Mais estranho..." e depois vou arrumar briga com esse roteirista que já tá avacalhando com a minha história. Qualé?
Mas as desgraças da semana passada me levaram a umas viagens muito importantes, com peso de resoluções de ano novo.
Fiquei pensando, depois de uma dúzia de anos que, apesar de parecer o contrário, todos os primeiros passos foram meus. É sério. Que lenta! Levar tudo isso de tempo pra perceber uma coisa dessas? É, não sou conhecida pela rapidez de compreensão dos assuntos relacionados ao coração, tenho uma leve surdez na frequência dessa batida que estou tratando agora.
Tá, ele tem alguns créditos quando nos conhecemos, tem também os créditos dos puxões pela cintura e por falar claramente quando queria o beijo, mas a procura pela companhia, pelo menos nos encontros da segunda metade da dúzia de anos de idas e vindas, fui eu que iniciei.
Todos eles.
Até aí não tenho problema nenhum com isso. Gosto de tomar iniciativas e não tenho paciência pra ficar com joguinhos. Acho chato e uma perda de tempo danada. (Isso aprendi não faz muito tempo, mas a foi lição anotada e colocada em prática)
Assim, percebi também que, apesar de acusada de não ter dado bola, de ter partido o coração dele uma certa quantidade de vezes, de tê-lo feito esperar pela primeira metade dessa história, ele também não fez a parte dele. Ele não brigou.
Eu sou briguenta, mesmo com esse tamaninho, eu gosto de uma encrenca. Ainda mais quando acho importante. E gostar de alguém é importante.
E ele não brigou comigo, não me chamou de ridícula quando claramente estava sendo, não segurou meu braço, não me puxou pelas mãos, não apareceu no meu portão pra me ver (não teria resistido... nunca resisti ao cheiro dele, porque resistiria?), nem conversa por e-mail iniciou.
Não brigou por mim. Nunca!
Sabe aquelas atitudes cheias de testosterona, "eu quero e vou lá", não importa se a batalha será difícil, "não aceito não como resposta" e tal? Aquele tipo de coisa que os manuais de auto-ajuda femininos nos dizem que os homens fazem quando querem alguma coisa? Ele não fez...
E no meio da minha crise caiu minha ficha: "ele simplesmente não está afim de você!"
Putz! Caiu o mundo!
Mas é mais fácil engolir "ele simplesmente não está afim de você" do que "ele gosta de você mas não tem coragem de tomar atitude nenhuma e tem medo de virar a vida do avesso".
Muito mais fácil e muito menos dolorido.
No segundo caso minha tristeza se somaria a um sentimento de pena e de impotência gigantesco. Não poder ajudar a um amigo perdido capaz de verbalizar sua insatisfação com a atual situação e sem forças pra mudar as coisas à sua volta é terrível.
E pra não iniciar uma briga na justiça e com toda a classe dos físicos pedindo reparação de danos pela Lei da Inércia prefiro considerar que ele simplesmente não gosta de mim, e nunca gostou tanto assim como dizia que gostava.
Conclusão de tudo isso?
Eu quero briga!
Mais um requisito na lista "Do Cara": tem que brigar por mim.
E brigar por mim não é sair na porrada, não é ter ciúme(pelamordedeus, ciumentos, afastem-se), não é afastar as pessoas que me cercam, não é grudar no meu pobre pé e achar que não vive sem mim depois de meia hora de encontro, combinado?
Essa briga que eu falo é cheia de cortesia, de galanteio, de flores (ah, flores são muito bem vindas), de mimos (serão todos retribuídos, garanto), de romance, e, quando eu for estúpida e fujona (pois é, acontece nas melhores famílias, e pânico pode vir sempre) tem que discordar de mim, não pode perder o rebolado e sair de cena. Se a batida do coração (aquele que eu tô tendo que usar aparelho auditivo pa ouvir direitinho), a respiração, a pele e os olhos pedem pra ficar, fique. Só isso.
Mar 11, 2007
Depois de 4 meses de regime tô chegando ao mesmo peso que tinha aos 14 anos.
Só pra não ficarem preocupados com anorexias, bulimias e outros disturbios alimentares, eu nunca fui magriiiiinha, nunca cheguei nem perto de "pele e osso", com 14 anos eu tinha bastante carne em volta dos ossos. O problema foi que colegial e faculdade aumentaram a quantidade de matéria entre a pele e o osso.
A diferença principal é que a carne era mais nova, mais durinha e praticava esportes. Não tinha o volume de cerveja acumulado na barriga e isso faz muita diferença à silueta atual.
O peito também não balangava tanto, mas o gingado de hoje é mais mais gostoso, acompanha a dança, o movimento, tem mais expressividade...
O quadril tá mais largo, a cintura mais fina, o tronco parece mais comprido, o rosto também tá diferente, tem uns ossos que sempre ficaram escondidos pelas buchechas que agora se mostram (volto: não é magreza mórbida, é só envelhecimento mesmo).
Gosto bem mais de mim agora do que de mim de antes.
Acho o espelho bem menos crítico com as celulites, com os vasinhos, com as estrias, com os dias de inchaço antes da menstruação. Os "bad hair days" já não são mais tão desgastantes quanto antes, e qualquer produto, um pente ou uma ducha já resolvem o problema que antes era motivo de mal humor e choro por horas.
Ainda não uso cremes anti-rugas, até porque, só faltava! Enquanto me pedirem RG e duvidarem que eu já terminei o colegial, não vou usar anti envelhecimento nenhum. Creminhos hidratantes, muita água e limpar a maquiagem não fazem mal a ninguém, certo?
Sem neuras, que tá cedo pra isso.
Feb 27, 2007
Tem um projeto de lei que tava acompanhando por que gostei muito quando li a proposta. Na verdade só agora que descobri que ele também tinha sido apresentado na Assembléia Legislativa do Estado, tava triste que a medida era só pra cidade de São Paulo...
Foi apresentado na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo pelo deputado estadual Simão Pedro o Projeto de Lei 216 de 2004 que tornaria obrigatória a instalação de bebedouros de água potável nas danceterias e casas noturnas do Estado de São Paulo.
Levante a mão quem nunca preferiu comprar uma outra lata de cerveja na hora da sede quando viu que o preço da água era o mesmo da cerveja?
Bom demais o projeto, não? Simplesinho de tudo...
Seria bom demais, se nosso querido governador não tivesse vetado.
Vetou por que mesmo? Porque instalar bebedouros vai CONTRA a política nacional de drogas, é mole? Anta!
Sugiro a leitura do texto completo do veto na página da Soninha, que fez a proposta na câmara de vereadores de São Paulo em Setembro de 2005, e da coluna do Gravataí Merengue que pelo menos ri da situação ridícula.
É pra ficar muito puta da vida com tamanha patetada do governador. Affe!
Feb 26, 2007
Perdi feio no bolão de apostas...
Filme: Babel, perdi, quem venceu foi "Os infiltrados"
Diretor: Alejandro Gonzáles, perdi também, quem levou foi o Martim Scorsese
Ator: Will Smith, esse tinha coraçãozinho do lado, porque eu sabia que não ia levar. Como previsto Forest Whitaker ficou com a estatueta
Ator Coadjuvante: Eddie Murphy, que tava super bem, todo mundo achando que ia ganhar... quem ganhou foi Alan Arkin, de Pequena Miss Sunshine, que eu ainda não consegui assistir.
Atriz: Helen Mirren. Aha! Só eu acertei essa em casa! Pontos pra mim!
Atriz Coadjuvante: Jennifer Hudson. Mais pontos pra mim! Mas a Li roubou, mudou o voto (antes da premiação, mas mudou) e também pontuou.
Animação: A Casa Monstro... caramba, mesmo pessoal da Viagem de Chiriro, achei mesmo que fosse ganhar... Happy Feet teve mais votos...
Roteiro Original: A Pequena Miss Sunshine. Tá, todo mundo votou nesse, nem vale tanto assim o ponto.
Roteiro Adaptado: Pecados Íntimos com coraçãozinho ao lado... Os Infiltrados mais uma vez
Filme Estrangeiro:Dias de Glória. Voto completamente às cegas, não tinha assistido a nenhum deles e achei que seria legal torcer por um filme Argelino. Perdi! The Lives of Others, filme alemão levou o prêmio.
Documentário Curta Metragem: Recycled Life... gostei do título... minha mãe gostou do título que tinha mais sangue no meio The Blood of Yingzhou District e pontuou.
Maquiagem: Click. perdi. O Labirinto do Fauno ganhou.
Direção de arte: Piratas do Caribe, claro! É... ponto pro Labirinto do Fauno...
Fotografia: Dália Negra! Caramba, a fotografia foi tão comentada... Labirinto do Fauno mais uma vez
Edição: Babel. Errado! Scorsese mais uma vez com Os Infiltrados.
Figurino: Dreamgirls com aqueles vestidos brilhantes de sereias... Maria Antonieta levou... aff, filmes de época!!! (eu sei que é Sofia Coppola, mas e daí?!)
Trilha Sonora: Babel. Ahá! mais um ponto pra mim...
Canção: Listen. Puxa vida... 3 indicações de canção e nada de prêmio? E aí ganha o prêmio o documentário??? muito estranho, muito estranho...
Som: Piratas do Caribe!!! Pô, segundo filme da trilogia sendo indicado? Vai ganhar, claro!!! ou não! As Dreamgirls levaram.
Edição de som: (confesso que sempre me confundo... quer dizer, não tenho a menor idéia de como diferenciar uma coisa da outra na hora de votar, mas quando veja na cerimônia o nome correto e completo sem tradução bato a mão na testa "putz") A Conquista da Honra! Claro que filme de guerra tem que ganhar... ganhou, o outro, do mesmo diretor e mesma equipe, mas o que eu não tinha votado.
Efeitos visuais: Piratas do Caribe, com coraçãzinho "Ó-B-E-V-E-O"!!!! Iei, mais um pontinho valendo por dois!!!
Documentário de longa metragem: Uma Verdade Inconveniente. Mais um ponto!
Curta: Helmer & Son, chute mesmo, sem a menor idéia do que se tratava... muito arrependimento quando vi os traileres, teria votado em West Bank Story, que ganhou.
Animação de curta metragem: foi o melhor prêmio da noite: na hora da votação, não conhecia nada e escolhi o com o nome mais bonito "Danish Poet". A Li tirou um sarro danado da minha cara e não quiz mudar meu voto quando descobri que "No time for Nuts" era dum brasileiro, e pô, tem que torcer pelos brasileiros, mesmo os pagos em dólares. Quem que ganhou? hein, hein? "Danish Poet"!!! Glória!!! Muito bom ganhar da Li quando ela se fode assim... hahaha
Saldo da noite: 7 pontos, sendo um com coração e outro com sabor de vingança.
Feb 25, 2007
E esse comentário agora é porquê?
Pela dor.
Pela transformação de mágoa em perdão.
Difícil né?
Mágoa cultivada por 6 anos, nascida de dor, de mentira, de abandono, infidelidade... Mágoa que corroía.
É difícil ter mágoa tão grande, ter dentro do peito uma tristeza tão grande por uma lembrança, não se capaz de sentir carinho por nenhum dos momentos vividos juntos, como se todos eles tivessem sido encenados, como se todos eles fossem mentira. E ela nasce de dor e cresce, cresce muito. Parece que não há alternativa a não ser a distância e as tentativas inúteis de apagar a memória.
Nada tão drástico como "brilho eterno de uma mente sem lembrança", porque dor serve também pra que se evite novos relacionamentos com o mesmo perfil.
Como é que se tranforma mágoa em perdão?
Também não é fácil.
São necessários amigos muito queridos te apoiando e exigindo a tua presença. É necessária uma dose extra de coragem, chá de camomila, um piscadinha com um sorriso pra foto, imaginar todas as piores variáveis da situação e pesar se é suportável ou não.
É o primeiro passo.
Conseguir estar no mesmo espaço físico e na mesma roda do causador de tal mágoa, ser capaz de cumprimentar sem ofensas também ajuda.
Devolver uma coisa importante que estava com você. A única cópia existente do CD que ele gravou, aquela com a composição que ele fez pra você na separação. Único ítem sobrevivente do ataque de fúria onde todas as cartas foram queimadas, todas as fitas gravadas foram destruídas.
Última lembrança de carinho e dor, porque a música faz chorar, mas é linda e merecia virar um grande sucesso...
Reencontro que já se inicia com lágrimas... mas não são mais lágrimas magoadas, já são mais brandas.
Mas a transformação ocorre dentro do peito em duas horas de choro compulsivo abraçados depois de um pedido de desculpas.
Pela primeira vez um pedido de desculpas verdadeiro, realmente arrependido, consciente de todas a dor que causou. Pedido de perdão que vem no olhar e na batida do coração, não só nas palavras, que um dia foram tão vazias e sabe-se que não terão tanto peso.
E os amigos preocupados em volta, olhando, cuidando, prontos pra interferir se necessário fosse. Queridos amigos... agora eu tô bem...
Seis anos de mágoa guardados, seis anos de choro abafado que puderam sair definitivamente do peito, soluços, gritos, rios de lágrimas... eu só precisava chorar.
Precisava ficar leve. Precisava tirar aquela dor antes que virasse tumor.
Agora eu tô tranquila, a mágoa virou perdão, e perdão é mais quente e gostoso de sentir do que ódio, ou mágoa.
Mas eu aceito abraços dos amigos queridos que eu amo demais... e obrigada por insistirem na minha presença no show (mesmo que não tenha tido tempo de falar... :P)
Feb 20, 2007
Eu me encaixo naquele bloco de pessoas que não suportam mulata sambando na TV 24 horas por dia, que não torcem por nehuma escola de samba, que tem tremedeira só de pensar em assistir a desfile.
Eu tampo o ouvido com o travesseiro pra não ouvir o infeliz do trio elétrico na avenida perto de casa.
Ala-la-ô o cacete!
Eu não aguento mais confete e serpentina grudando na sola do meu sapato.
Pior é que eu já assisti a todos os flmes que estão em cartaz (menos àqueles que eu não iria de jeito nenhum), ou seja, fugir pra sala escura com ar condicionado está fora de cogitação, mesmo com os descontos desta semana.
Tentei a piscina daqui de casa. Aproveitar um pouco do solzinho que deu as caras... protetor solar e um pouco de rock'n'roll... meditando tranquila, vivendo de luz, pensando em nada... até que começa a festa lá na vila!
E minha cabeça dói...
Meu fígado dói tambem. Não aguento mais cerveja, eu quero chá verde!
No último carnaval é que fui feliz... Gonçálves, ah que delícia... só montanhas e siriemas. Botei minhas leituras em dia, respirei ar puro, cozinhei... nada de batuques.
Tava lembrando de carnavais passados, quando acampávamos. Amigos queridos, macarrão feito na churrasqueira do clube, piscina, a rádio tocando a mesma seleção do rock'n'roll pelos 4 dias (colocaram a fita no repeat e sairam pra sambar), a chuva que inundou umas barracas, o vento que levou as outras e a gente amontoado na única que ficou inteira.
Mas já vai acabar... já vai acabar... falta pouco... eu tenho fé que vou sobreviver mais um dia!
Feb 14, 2007
Já tinha lido antes, no colegial pra alguma prova de literatura, ontem li antes de dormir, sem preocupações com interpretações de texto, com análises mais profundas de literatura, estilo e tal, só li por prazer.
Mamãe ganhou há um tempo um livro com os 100 melhores contos brasileiros (não lembro se são do século passado ou desde sempre), e eu deixo o livro na cabeceira da cama. Toda noite abro numa página aleatória e leio quem sair. Ontem veio Graciliano com a Baleia.
Claro que chorei de novo no final... adoro a Baleia... ela é tão feia e tão linda.
Quando reli o conto descobri de onde vinha a sensação de que já conhecia a Jurema quando nos encontramos pela primeira vez.
A Li e eu fomos buscar a Juju na casa de uma família que estava doando toda a ninhada. A belíssima boxer deles se apaixonou por um bofe que passava na rua e teve uma ninhada enorme sem valor comercial. A Juju era uma das últimas que restavam lá. Isso foi logo depois que minha outra achorra morreu repentinamente.
Ela era tão feia, com aquele maxilar proeminente característico dos boxeres e focinho fino por parte de pai, osa caninos inferiores à mostra fazendo o lábio superior subir, o focinho preto, corpo castanho, peito e patas brancas. Mamãe, quando viu, começou a rir " ela muito feia..." e ria mais. Foi paixão à primeira vista. Eu tinha certeza de que já no conhecíamos.
Ontem, no conto, descobri de onde conhecia Juju: ela é a Baleia na minha imaginação.
Nem adianta tentar me lembrar que a Baleia estava toda cheia de bicheiras, sem pelo, magra de desnutrição; eu imagino a Baleia sempre jovem, saltitante e cheia de vida, do mesmo jeto que ela se sentia. Como no teatro, que mulher é homem, homem é mulher, velho é criança, não importa o corpo do ator, importa a personagem.
Imagino a Juju caçando os preás, feliz como a Baleia, e depois ela traria orglhosa a sua caça pra mim. Com toda a sua magreza, suas costelas aparecendo e suas técnicas de caça desenvolvidas em conjunto com sua grande companheira Carmina.
A Juju tem aquele mesmo olhar de que se acha gente, parte da família. Cumprimenta educadamente todos os convidados da casa. Dá a pata, uma lambida na mão do visitante e um cheiro "Seja bem vindo à minha humilde casa".
Feb 11, 2007
Ontem fui pela primeira vez à hípica. Morando em Campinas há 17 anos, nunca tinha pisado na Sociedade Hípica de Campineira, é mole?
É quase engraçado.
Me perguntaram se não tinha ido a nenhuma formatura, baile de debutante, casamento... não, nada dessas coisas. Uma vez fui na Hípica de Barão, mas ela não é tão chiquetésima quanto a de Campinas.
Tô falando isso porque agora vou começa a falar mal. Não da instituição, que é muito da bem cuidada (exceto o bar...), bonita e tal, mas dos frequentadores.
Vou começar elogiando os bronzeados. Que gente bonita, malhada, bem bronzeada. Não têm essas marcas como eu, a manga da camiseta, o braço esquerdo mais escuro que o direito, ombros e braços mais escuros que o resto do corpo, nada disso. As meninas são lindas, todas. Algumas com pinta de distúrbios alimentares, ossos da bacia aparecendo e tudo (eu nem tenho esses osso, acho, pelo menos nunca vi... tem uma camada boa de carne aqui no quadril, sabe?). Devem ficar bem em qualquer roupa que vestirem. Andam de biquini e sandália de salto na beira da piscina. É ótimo, não sei porque não pensei nisso antes: as pernas parecem mais longas e ficam mais durinhas, a bunda fica mais empinada pela lordose, que também empina o peito pra frente... e eu de havaianas verdes e velhas... que falta de classe! (secando o veneno escorrendo aqui no canto da boca, senão mancha a pele)... Os chapéus e o óculos escuros enormes, a os olhos fitando sempre acima da linha do horizonte. Inabaláveis.
Agora os meninos, ah os meninos.. todos malhados, músculos tratados por tardes de academia, pele bem cuidada pelo sol, que queima com carinho e tinge dos mais diversos tons de castanho... Cabeleiras cuidosamente esculpidas por pastas, mousses, cremes e secadores. Corpos tatuados (um pouco de descaso com seus desenhos, que mereciam um fator de proteção solar um pouquinho mais forte). Rodinhas de moços medindo os esforços feitos durante a semana, caras de malandros, poderosos, rindo e medindo todas à sua volta.
Mas o mais legal são as babás.
Mamãe e papai tranquilamente sentados à mesa do clube, tomando sua cervejinha, comendo sua porção de cenoura, tomando sol e conversando com outros papais e mamães e curtindo seu sabadão, enquanto as crianças podem brincar tranquilamente com a zelosa babá uniformizada que as acompanha... toda aquela turma de criancinhas lindinhas, com seus amiguinhos lindinhos e as babás lindinhas e uniformizadas em volta... Parece novela das oito, só faltava a Regina Duarte na cena!
Teve também concurso de fantasias da criançada em uma pré matinê(?) de carnaval.
Antes da parte maldosa eu tenho que comentar as fofurinhas... Não tem jeito...uma criançada que dava vontade de morder a buchecha. Como não achar a coisa mais linda uma menininha gordinha de menos de 1 ano, no colo do pai, com roupinha toda cor de rosa e asinhas de tule e lantejoulas? E daí que ela não tá se divertinhdo! Tá tão fofa, tão fotogênica...
Fiquei pensando que se fosse eu, quando pequena, num desses bailes ficaria traumatizada para o resto da vida... eu e minhas irmãs provavelmente seríamos as únicas com fantasias home made. Nos divertiríamos por semanas preparando tudo, inventando o tema, procurando panos entre as coisas do meu pai, cortando, costurando, pregando lantejoulas, testando maquiagens e treinando para o desfile. Quando chegássemos na festa veríamos todas as crianças com suas fantasias de super heróis e princesas industrializadas, Alladins, Incríveis, Minnie Mouses, fadinhas, sereias, todas compradas ou alugadas, com bons acabamentos, com barra, sem erros de costura...
Tá certo, exagerei um pouco no trauma... não ficaríamos traumatizadas, talvez só um pouco deslocadas. E depois falaríamos mal de todo mundo.
Era mais divertido do nosso jeito. Durava mais tempo.
Feb 7, 2007
Coloquei Dylan pra tocar... tô tentando escrever antes que vomite. Não sei se vai dar certo.
É sempre assim, notícias que atrapalham meu estômago...
Preciso responder a uma mensagem e não sei se sou capaz, nem sei se devo.
Responder a verdade não vai dar certo. Decididamente não é uma boa idéia.
Vou parecer meio desesperada, vou ter que questionar sobre coisas que talvez não queira saber a resposta. Posso responder assim: "A vida tá tranquila, profissionalmente vai bem, melhorando a cada dia... A família tá bem, quase recomposta. Consegui emagrecer um pouco. Tô escrevendo um blog, legal, né? O pessoal que lê pelo menos se diverte com as minhas neuras... agora só falta um amor ao lado... mas ouvi dizer que você faz planos de casar... não gostei da notícia"
Outra versão da resposta seria "não, nada bem! nem um pouco bem! Tô passando mal desde que soube que você faz planos de casar no próximo ano... não, não estou bem... até estava, antes de saber disso, mas agora não estou não. Só sinto saudades e um aperto no coração que começa a doer meu braço. Não, não foi por isso que percebi que sentia falta tua, sinto isso todo dia desde que você pediu pra me afastar... Só que agora o pouquinho de esperança que me acompanhava tá dando espaço pra essa dor no estômago. Inconformada mesmo. Não acho possível que você, justo você, fique com alguém que te controla, que invade teu e-mail, que xereta as ligações do teu celular, que grita com você, xinga (é, eu lembro da cena, eu lembro do som da voz dela gritando obcenidades, te chamando por nomes que você nunca deveria ouvir, muito menos de alguém tentando te chamar de volta... eu lembro)... Não acredito nisso. Não acredito que você voltou pra ela depois daquilo. Cadê tua auto-estima, querido? O que fizeram com ela? Não te falaram todos os dias que você é lindo, que teu beijo é o melhor jeito de acordar... Não acredite em frases como ninguém vai te amar mais do que eu, ela é sempre uma mentira, não acredite em ameaças de suicídio... ninguém se mata sem o outro por perto, pode sofrer bastante, emagrecer vários quilos vomitando e sem comer, mas morrer, ninguém morre. Sem contar que é dum egoísmo do c... e a tua vontade? e a tua possibilidade de amar mais, melhor, mais tranquilo? essa é totalmente ignorada. Hoje eu acho que errei em me afastar tanto tempo, mas eu sei que minha presença cria tumultos por aí e não queria criar tumultos pra você. Não queria te ver triste no meio de brigas mais uma vez. Mas talvez eu quebre a minha promessa de me afastar. Eu tô precisando te ver. Tô querendo te abraçar. Queria uma daqueles abraços gostosos que nossos corpos se fundem e que o tempo anda num ritmo tão mais lento e tão mais rápido. Eu quero amor à luz de velas, sempre... eu sinto tua falta... quero você, meu parceiro, construindo sonhos novos, criando filhos, mimando netos, quero você ao meu lado. Desejo. Mas hoje estou triste, porque tua companhia parece tão mais longe..."
Eu responderia assim se tivesse coragem pra isso.
E a pergunta é um simple "como está, mocinha?"
Como pode ser tão complicado respondê-la?
Poderia mentir, contar as maiores barbaridades, daquelas que de tão difíceis de acreditar podem muito bem ser verdade.
Talvez eu só responda "tô bem, tô bem. Beijos"
Feb 6, 2007
- humrrum...
- Então vou lá e já volto.
...
- Não tinha, mas tem em outra loja. Quer ir comigo? Vista uma blusa.
- Humrrum...
...
- Tem que ser cortador, não pode ser aparador, a mulher da Luisa falou que tem que ser cortador, o outro é só para as beiradas...
- Mas é isso mesmo que não consigo fazer com o grande que tem em casa.
- Mas tem que ser cortador.
- Cortador só tem desse trambolhudo aqui, pesado, igualzinho ao que a gente tem em casa, só que novo...
- Não tem um vendedor pra explicar?
-Ó um passando ali...
-A moça da Luisa me disse que tem que ser cortador, não aparador... você tem deste aqui, só que cortador?
- Desse só com fio de "nylon"...
- Mas... ele corta grama? O que você acha desse?
- É pra gramados baixinhos, sem muito mato... ele não corta mato alto... quer dizer, até corta, mas tem que passar várias vezes, primeiro nas pontas e vai descendo...
-Vixi... gramado sem mato é? vixi... Pega aí, olha como ele é levinho...
- Mas você não prefere o outro, de 500? Não é mais forte?
- É mais forte, mas mais pesado... quem é que vai cortar a grama afinal? leva o mais fraco, mais leve e mais barato.
...
- O senhor se importa se eu - uma velhinha de 80 anos - pagar minha conta antes de você, um moço cheio de saúde na fila preferencial?
- Claro, tudo bem... mas eu sou doador de sangue... olha só minha carteirinha! Eu doo sangue todo ano...
(eu não, porque minha pele está pintada e o hemocentro acha perigoso...)
...
-Ué, não tá abrindo...
abre porta, desce do carro, abre portão, abre casa - Vó, não adianta, tá sem luz -
aperta botão, aperta botão mais forte, troca o controle, aperta mais uma vez
-Vó, não adianta, a rua tá sem luz, vou estacionar aqui na frente...
-Lau, acho que tá sem luz... por que não estaciona aí na frente?
Feb 2, 2007
A ida ao cinema aqui em casa é uma negociação, não só pelo filme, pela sala de cinema, qual horário, que caminho fazer, que carro usar, mas uma negociação de bom comportamento por um par de dias...
Par mesmo, dois! É o máximo que conseguimos.
É um agrado com com segundas intensões.
Talvez não seja má intensão, mas não é nada declarada.
O agrado da ida ao cinema diminui o número de reclamações pela falta de visitas no café da manhã, pelas ausências no almoço, pelos chás da tarde perdidos.
São 10 minutos de carro, meia hora de café e pão de queijo, mais a fila do ingresso, o tempo dentro da sala de cinema, talvez mais um café ou um sorvete (isso depende do horário da sessão), e os 10 minutos da volta. Ou seja, muitas horas de companhia, certo?
Isso compra o bom comportamento, um pouco de bom humor, uns carinhos durante a semana e até a aceitação de um pedido descarado para se ausentar no final de semana para que pudesse acontecer uma festa em casa.
Viu só como o cinema é importante na vida das pessoas?
O fime foi Babel.
Pronto, já tenho um filme querido concorrente ao Oscar.
Babel está concorrendo para melhor filme, melhor direção, melhor atriz coadjuvante, melhor atriz coadjuvante mais uma vez (filmes sem atores principais... que nem Friends, quando concorria nos prêmios da TV americana), melhor roteiro original, melhor montagem e melhor trilha sonora original, tá bom né?
Direção de Alejandro González Iñárritu, aquele mesmo de 21 Gramas, filme genial também, que o cara emagrece 21 gramas quando morre, o peso da alma dele... (isso, era só isso o filme...).
Babel também tem sua história contada de forma não linear. Pronto, lá vou eu com meus jeitos de lembrar das coisas... Babel é contada como se diretor fosse contando pra gente uma história do mesmo jeito que ele a descobriu, parte por parte, como se tivesse ouvido de terceiros e estivesse passando pra frente na mesma ordem, só no final que dá pra colocar todos os acontecimentos numa linha de tempo e espaço como nas aulas de história na escola e entender todos os envolvimentos.
Bem legal a montagem, bem legal!
O roteiro também me parece novo, pelo menos assim todo junto. Mexicanos ilegais na fronteira eu já vi; casais viajando pra superar crise também; meninos brincando e causando acidentes sérios também não é novidade (o incidente internacional de ameaça terrorista é uma bela duma cotucada... isso é novo. A intervenção das relações internacionais atrasando um resgate de uma ambulância... o cara só queria uma ambulância, "deixa pra pegar os culpados depois, primeiro salva minha esposa!") ; adolescentes fazendo bobagem, tem todo o tempo... tudo isso junto e ligado, cheio de problemas de comunicação pelo mundo todo já muda um pouco... O núcleo San Diego-Mexico se liga ao núcleo Marrocos, que se liga a outro núcleo Marrocos; Marrocos se liga a Tóquio, num tráfico de armas que não é traáfico de armas.
A babá ilegal com um casal de crianças loirinhas, o casal em crise matrimonial tirando férias pra tentar retomar a relação perdida, a família de criadores de cabras com dois meninos adolescentes, turistas preconceituosos e incapazes de solidariedade com uma companheira ferida, uma adolescente surda (adoro as cenas dela se habituando aos espaços diferentes, a balada cheia de luz e sem som, como pegar o rítmo nequele espaço...) - órfã de mãe - com sua turma experimentando tudo o que é oferecido a eles, uma investigação policial, uma festa de casamento, uma travessia de fronteira, resgates de helicóptero... Tem bastante coisa acontecendo ao mesmo tempo.
Adriana Barraza é a babá mexicana que atravessa a fronteira México-EUA com as crianças loirinhas que cuida para ir à festa de casamento do filho... idéia de jirico! Não que tivesse outra alternativa, mas... putz, que agonia, que angústia saber desde de o princípio que aquela idéia não pode dar certo... Mas ela está maravilhosa nessa atuação. A outra concorrente é a japonesa Rinko Kikuchi, a menina surda cheia de crises adolescentes agravadas pela surdez e pelo suicídio da mãe. A atuação dela é impressioante, fui procurar a bibiografia dela pra ter certeza de que não era mesmo surda... (é a foto dela no site da UOL nos filmes da semana).
Confesso que não prestei atenção à trilha sonora desta vez. Só nas cenas em Tóquio, que luz, som e movimento ficam mais frenéticos, mas não sei dizer se é pra Oscar...

